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'Façam o Mundial para o povo. Não para a Fifa'

02 de março de 2010 | 0h 00
Jamil Chade - O Estadao de S.Paulo

CORRESPODENTE
GENEBRA
O governo da África do Sul manda um recado ao Brasil: não organize uma Copa do Mundo para a Fifa, mas sim para o povo brasileiro. O primeiro Mundial em terras africanas vive uma forte crise. Cerca de 800 mil ingressos estão encalhados, os turistas estrangeiros não serão tão numerosos quanto se esperava e a Fifa não terá os lucros que calculava.

Para a ministra de Relações Internacionais da África do Sul, Nkoana-Mashabane, o Brasil precisa tirar uma lição. "O Mundial precisa ser acessível para a população local e é nesse ponto que o governo precisa intervir para garantir que isso ocorra."

Depois de ver ingressos encalhados, a Fifa reduziu os preços para US$ 15,00 (R$ 27). Mas muitos criticam a entidade de estar tomando a decisão tarde demais. Ao Estado, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, deixou claro que para 2014 no Brasil a venda de entradas será "totalmente revista". "O povo precisa ter acesso ao torneio, com preços baixos para ingressos e bilhetes disponíveis", disse a ministra sul-africana. "O governo brasileiro precisa se perguntar se o brasileiro médio terá como ir ao Mundial."

Outro alerta dos sul-africanos é quanto aos investimentos em infraestrutura. "Se eu pudesse dar uma recomendação ao Brasil, seria no sentido de garantir que a infraestrutura construída para a Copa não seja apenas para a Fifa, mas para ser usada após o Mundial pela própria comunidade", disse. "O governo brasileiro precisa se perguntar qual o legado que quer deixar para a população. O Brasil tem de se perguntar o que ocorrerá com a infraestrutura construída para o Mundial quando a Fifa sair. Os investimentos devem ocorrer para a população local."

O governo sul-africano vem sendo criticado pela população que questiona o volume de investimentos gastos e as promessas não cumpridas de que a infraestrutura construída fosse também destinada a melhorar a qualidade de vida das camadas mais pobres. Escolas e centros de saúde ficaram no papel. A previsão é de que o custo de energia dobre nos próximos três anos para pagar pelos gastos da Copa.