Facebook cria nova leva de milionários
Grafiteiro que recebeu ações por pintura na empresa pode lucrar US$ 200 milhões
O grafiteiro que aceitou ações do Facebook em vez de dinheiro pela pintura das paredes da primeira sede da rede social fez uma aposta sagaz. As ações pertencentes ao artista, David Choe, poderão valer até US$ 200 milhões quando os papéis do Facebook forem negociados em bolsa, ainda este ano.
A empresa de rede social anunciou na quarta-feira sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de US$ 5 bilhões, que deve estabelecer o valor da companhia como um todo em US$ 75 bilhões a US$ 100 bilhões.
Esse IPO poderá fazer uma porção de bilionários e milionários. Alguns são bastante conhecidos, como Mark Zuckerberg, cofundador da empresa, mas muitos outros não são nomes familiares.
Zuckerberg, de 27 anos, possui 553,8 milhões de ações valendo US$ 28,3 bilhões, com base numa valorização da empresa em US$ 100 bilhões, ou US$ 53 por ação. Ele também detém o controle inconteste da companhia, um feito notável, já que o Facebook recebeu financiamentos de algumas das cabeças mais astutas em matéria de negócios do mundo. Ele é dono de 28,4% da companhia e controla 57% dos direitos votantes.
O primeiro investidor de fora do Facebook, Peter Thiel, liderou um investimento de US$ 500 mil na rede social em fins de 2004. Ele possui 44,7 milhões de ações, que poderão valer mais de US$ 2 bilhões.
A Elevation Partners, empresa de capital de risco de Bono, o cantor do U2, pagou US$ 120 milhões por um naco de ações do Facebook em 2010 e poderá receber um retorno que ajudará a mascarar investimentos menos sábios na Palm e na Forbes.
A Accel Partners, cujo sócio principal, Jim Breyer, investiu no Facebook quando a empresa estava começando, há sete anos, detém 201,4 milhões de ações. A Accel poderá ter um retorno mil vezes maior que seu investimento.
Sheryl Sandberg, diretora operacional da empresa, tem 1,9 milhão de ações, ou cerca de 0,1% da companhia. Mas, no fim, ela poderá receber 38,1 milhões de ações adicionais, segundo o pedido de IPO, o que fará dela a mais rica do minúsculo clube de mulheres bilionárias no Vale do Silício.
Antecessores. Não é de hoje que a riqueza criada pela entrada de uma empresa de tecnologia nos mercados abertos causa admiração. O IPO da Netscape, em 1995, fez pencas de milionários, incluindo seu fundador, Marc Andreessen, hoje um capitalista de risco do Vale do Silício que investiu nos primórdios do Facebook e hoje possui 3,6 milhões de ações, no valor aproximado de US$ 200 milhões.
Quando o Google abriu seu capital com um IPO de US$ 1,67 bilhão, em 2004, centenas de pessoas se juntaram às fileiras dos milionários, incluindo secretárias, uma massagista e um chef da empresa.
Bill Gates controlava somente 49,2% da Microsoft quando ela abriu o capital em 1986. Os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, possuíam cerca de 15% da companhia cada quando ela se tornou pública, em 2004.
Dois fatores distinguem o caso do Facebook. Primeiro, o valor projetado do Facebook é enorme - o maior de que se tem registro para uma companhia de internet, muitas vezes maior até que o IPO do Google em 2004.
A rede social, fundada no dormitório de Zuckerberg em Harvard há oito anos, deve ficar valorizada em pelo menos US$ 75 bilhões. As ações do Facebook já foram negociadas no mercado secundário, onde ações privadas são compradas e vendidas, acima de US$ 80 bilhões.
E, diferentemente do IPO do Google, uma grande fatia da riqueza associada ao Facebook já foi realizada, graças ao próspero mercado secundário e um conjunto de ávidos investidores globais.
Retorno. Mesmo que o IPO do Facebook fique na ponta inferior das expectativas, ele ainda renderá um dos maiores retornos na história do investimento de risco.
O pagamento a Choe, o grafiteiro, pode render mais dinheiro de suas pinturas do que a Sotheby's atraiu para seu leilão recordista de US$ 200,7 milhões em obras do artista Damien Hirst, em 2008.
Em 2005, Choe foi convidado a pintar murais nas paredes dos primeiros escritórios do Facebook em Palo Alto, Califórnia, por Sean Parker, então presidente do Facebook. Como pagamento, Parker ofereceu a Choe a opção entre dinheiro na faixa dos "milhares de dólares", segundo várias pessoas que conhecem Choe, ou ações aproximadamente no mesmo valor.
Choe, que na época teria dito que a ideia do Facebook era "ridícula e descabida", mesmo assim aceitou as ações.
Muitos "consultores" da companhia na época, que é como Choe os teria classificado, teriam recebido cerca de 0,1% a 0,25% da companhia, segundo um ex-empregado do Facebook. Isso pode parecer pouco, mas uma participação acionária dessa ordem valeria centenas de milhões de dólares com base em um valor de mercado de US$ 100 bilhões.
O pagamento de Choe está valorizado em aproximadamente US$ 200 milhões, segundo algumas pessoas que conhecem Choe e executivos do Facebook. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
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