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Família e simpatizantes divergiam na internação

21 de dezembro de 2007 | 0h 00
Angela Lacerda, Sobradinho - O Estadao de S.Paulo

Socorrer ou não socorrer? Diante do desmaio de d. Luiz Flávio Cappio na tarde de anteontem, pegando de surpresa todos os que se agregam à sua causa - movimentos sociais, familiares e religiosos -, o interior da Igreja de São Francisco, em Sobradinho, onde ele se instalou para a greve de fome, foi cenário de conflitos e impasses, que acabaram com a prevalência da vontade da família.

O médico que o acompanhava, frei Klaus Finkam, e entidades sociais relutaram em aceitar a idéia de internação, por acreditar que d. Luiz ainda teria condições de continuar o jejum. "Quando caiu, segundo frei Klaus, ele ainda tinha como continuar", disse Rubem Siqueira, da Comissão da Pastoral da Terra (CPT).

Depois de impor a internação, a família enfrentou um impasse - se deveria chamar uma ambulância do SUS, gerido pelo governo que o bispo combatia. Optaram por uma particular, mas o atendimento demorou demais.

Com 9 quilos a menos, d. Luiz ficou desacordado por cinco horas, com apenas alguns momentos de consciência. Com a paciência no limite, seu irmão, João Franco Cappio, buscou uma ambulância do Samu com UTI móvel, no hospital local. "É uma vida em jogo", desabafou ele, incapaz de suportar que o irmão morresse ou ficasse com seqüelas permanentes.

João Franco lembrou que, na primeira greve de fome, em Cabrobó (PE), em 2005, d. Luiz recomendou-lhe não deixar que ninguém o retirasse da igreja onde ficou, quaisquer que fossem as conseqüências. Ele concordou. Desta vez, porém, nem João Franco nem d. Luiz haviam discutido sobre isso.