Fator Relevante
O espião que vem para a Copa
Incrustado numa zona conflagrada do Oriente Médio, Israel vive em permanente estado de beligerância com seus vizinhos árabes, desde sua fundação, em 1948. Essa experiência em conflitos deu origem a uma das mais avançadas indústrias de defesa e segurança interna do mundo, com cerca de 350 empresas privadas e públicas em operação e um faturamento de US$ 7,3 bilhões no ano passado, o equivalente a cerca de 4% do PIB israelense. Apenas um quarto da produção local, no entanto, permanece em Israel, sendo o restante exportado principalmente para os Estados Unidos, Paquistão e Tailândia. O Brasil está prestes a juntar-se a esse grupo.
De olho na possibilidade de ampliar seu mercado, graças às oportunidades geradas pela realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Brasil, representantes de 13 empresas israelenses de segurança reuniram-se ontem na capital paulista com cerca de 100 potenciais parceiros locais, como o Comitê Olímpico de São Paulo e as polícias Civil e Militar do Estado. "Não estamos no Brasil para empurrar a tecnologia israelense", afirma Guy Zuri, diretor da área aeroespacial, defesa e segurança interna do Instituto de Cooperação Internacional de Exportação de Israel. "Buscamos estabelecer laços fortes entre o setor empresarial e os governos estadual e federal." Formado em administração de empresas, Zuri adquiriu sua expertise no setor ao tempo em que trabalhava como agente secreto do Shin-Bet, a versão israelense do FBI americano.
Os números justificam a agenda movimentada de Zuri e sua turma no Brasil, que incluiu também encontros com empresários do Rio de Janeiro. Somadas, diz ele, a Copa e a Olimpíada deverão movimentar US$ 30 bilhões em obras de infraestrutura, construção e ampliação de estádios e demais investimentos. Cerca de 10% desse total- US$ 3 bilhões - deve ser aplicado na área de segurança. "Apesar de o Brasil não ter problemas com terrorismo, ao ser anfitrião de eventos internacionais, chama a atenção, importando problemas de outros lugares", diz Zuri.
Os principais alvos da cooperação proposta por ele são os investimentos em segurança interna, destinados a fins não militares, que incluem o treinamento nas áreas de contenção de conflitos, monitoração, vigilância, proteção às delegações estrangeiras, além do fornecimento de equipamentos de segurança de baixa, média e alta tecnologia. "Em eventos de grande porte, como os que acontecerão no Brasil, é preciso saber controlar as pessoas", diz Zuri. "Todos os encarregados da segurança devem ter acesso às informações de inteligência, e temos muita experiência nisso."
Segundo ele, na Olimpíada realizada na Grécia, em 2004, as empresas de segurança israelenses forneceram o equivalente a US$ 200 milhões em equipamentos e serviços de treinamento. "Além disso, temos colaborado na organização de todos os grandes eventos esportivos mundiais recentes, incluindo a Olimpíada da China e a Copa da Alemanha", afirma Zuri.
Os empresários israelenses apostam nos precedentes positivos da cooperação bilateral. Na década de 1980, o Brasil tinha uma produção irrisória de melão. Atualmente, com a aplicação de tecnologia de irrigação "made in Israel", no Vale do Rio São Francisco, o País é o segundo maior produtor mundial da fruta. "Nossas economias não são competitivas entre si, mas complementares", diz Jayme Blay, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Israel. De acordo com Blay, passadas as eleições de outubro, a intenção dos israelenses é intensificar as negociações com o governo brasileiro.
PRESSÃO
"Com certeza, a valorização do yuan está no caminho certo, mas não espero que as coisas mudem muito rapidamente. Nós ainda acreditamos que o yuan está desvalorizado"
Dominique Strauss-Kahn
DIRETOR-GERENTE DO FMI, SOBRE A NECESSIDADE DE VALORIZAÇÃO DA MOEDA CHINESA
SHOWROOM
Havaianas abre loja exclusiva nos EUA
A Alpargatas inaugura na próxima terça-feira a primeira loja exclusiva da marca Havaianas nos EUA. A franquia está localizada em Huntington Beach, mais conhecida como a "surf city" da Califórnia, ao sul de Los Angeles. Segunda unidade do gênero no exterior - a primeira foi a de Barcelona, aberta no início do ano -, a loja custou US$ 130 mil. Em 2009, foram vendidos 171 milhões de pares das Havaianas no mundo.
INVESTIMENTO
Caterpillar quer reforçar exportação com nova fábrica
A localização da nova fábrica da Caterpillar no País está sendo tratada sob o maior sigilo na filial brasileira por uma equipe multifuncional que conta com a participação de executivos da matriz americana. A unidade, a segunda do grupo na América Latina, vai reforçar a produção de retroescavadeiras e carregadeiras de pequeno porte que sai da planta de Piracicaba (SP). Com isso, a empresa espera turbinar suas exportações. Ultimamente, a Caterpillar brasileira vinha exportando uma média de US$ 1 bilhão por ano, para clientes de 100 países. A exceção ficou por conta de 2009, quando o valor vendido lá fora ficou pela metade da média. Com a recuperação da economia mundial, o nível exportado deve voltar ao patamar anterior. Até maio, as vendas externas haviam chegado a US$ 400 milhões.
PORTA A PORTA
Tupperware recruta revendedores na rua
A Tupperware do Brasil realiza hoje a terceira edição do "Abraça Brasil", evento que pretende recrutar cerca de 150 mil novos revendedores para a marca de embalagens plásticas no País. A iniciativa, que contará com a participação dos funcionários, faz parte do plano de expansão da empresa americana, que, com seu modelo porta a porta, vendeu US$ 50 milhões no Brasil em 2009, um resultado 50% acima do obtido no ano anterior. Em 2010, a Tupperware pretende manter o mesmo ritmo.
TRANSPORTES
Venda de lonas dispara em 2010
A manutenção da política de redução das alíquotas de IPI para caminhões, tratores e veículos comerciais leves até o final do ano está beneficiando os fabricantes de lonas. Com três fábricas no interior paulista, a Ledervin, de Osasco, que produz coberturas com a marca Drakar para o setor de transportes e para a área agrícola (silos), viu os negócios crescerem 60% no primeiro quadrimestre e espera dobrar suas receitas para R$ 350 milhões em 2010.
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