Federais mantêm greve após reunião

Negociação fracassa e novo encontro tentará pôr fim a 67 dias sem aulas; paralisação na Anvisa afeta trabalhos nos portos do Sul

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2012 | 03h02

Fracassou ontem a reunião de professores universitários e representantes do governo para tratar do fim da greve nas instituições federais de ensino, sem aulas desde o dia 17 de maio. No encontro, que durou quatro horas, o governo ofereceu aos professores R$ 3,9 bilhões em reajustes salariais nos próximos três anos.

Os sindicatos já haviam divulgado, antes do início da reunião, que rejeitariam a proposta. Uma nova reunião está prevista para esta semana. Os professores reivindicam um plano de carreira unificado, com 13 níveis salariais, com diferença de até 5 %. Também pedem a incorporação de gratificações. Das 59 universidades federais do País, apenas duas não aderiram à paralisação. A greve atinge também 37 dos 38 institutos federais de ensino.

A presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira, disse na reunião que a divergência entre governo e professores não é apenas salarial, mas de "concepção".

Ela reclamou que o governo incentiva a desestruturação da carreira ao impedir a progressão, criando barreiras para o docente chegar ao teto da profissão. Por sua vez, o governo acusa os sindicatos de propor o fim do critério dos títulos de mestre e doutor para ascensão na carreira.

O Ministério da Educação propôs que questões como a titulação devem ser discutidas em outra mesa de negociação. Para discutir isso, propõe que se crie um grupo de trabalho específico. Creio que devemos focar os pontos de divergência", afirmou Amaro Lins, secretário de Ensino Superior da pasta. "O maior cuidado que devemos ter é com os jovens de nossas instituições."

Greve legal. Pouco antes, Marinalva Oliveira havia afirmado, em tom exaltado, que a responsabilidade pela situação dos estudantes é do governo. Ela disse não temer o corte do ponto. "A nossa greve é legal. Quem não está avançando é o governo, que só depois de sessenta dias está apresentando proposta", completou. Eduardo Rolim de Oliveira, presidente da Federação de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior, afirmou que, na reunião, o governo só falou "genericamente".

Ao comentar pontos da pauta de reivindicações, ele disse que, pela proposta do governo, os professores com título de mestre, por exemplo, terão reajustes inferiores à inflação projetada para os próximos três anos.

Embora haja consenso de que, na pauta dos sindicalistas, "questões técnicas" e "conceituais" estão abaixo do debate salarial, o governo mantém a avaliação de que o movimento de greve pretende acabar com a valorização dos títulos nas universidades. Os grevistas não são claros quando questionados se defendem apenas o tempo de trabalho como fator para um docente atingir o topo da carreira. "Os títulos seriam um estímulo na carreira se o governo não incluísse também na progressão fatores como a produtividade", rebate Gutemberg Almeida, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Ele diz que hoje os professores têm carga horária elevada em sala de aula, prejudicando pilares do setor como a pesquisa e a extensão.

Liminares. A continuidade da greve dos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez chegar a 126 o total de navios na fila de navios no porto de Paranaguá mas teve impacto menor em Santa Catarina. Os sindicatos das empresas de navegação entraram com liminares e cinco delas conseguiram ontem normalizar o serviço no Paraná. Nos portos catarinenses de Imbituba e São Francisco do Sul, a operação-padrão na Receita Federal também surtiu pouco efeito. / COLABORARAM JULIO CESAR LIMA e DANIEL CARDOSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.