Festa adiada
São Paulo fica no 1 a 1 com o Fluminense, frustra torcida e agora precisa empatar com o Goiás para ser campeão
A festa estava pronta, quase 70 mil torcedores lotavam o Morumbi, certos do tricampeonato brasileiro, o hexa da história do São Paulo. O time, porém, não conseguiu vencer o Fluminense e viu a decisão do título ficar para a última rodada da competição. O empate por 1 a 1 contra os cariocas, em jogo equilibrado, obriga a equipe paulista a somar pelo menos um ponto no Distrito Federal, diante do Goiás, para levantar a taça. A pergunta a ser feita agora é: o elenco vai recuperar o ânimo até domingo? Na saída de campo era claro o clima de decepção, tristeza.
Em Minas Gerais, o Grêmio goleou o rebaixado Ipatinga por 4 a 1 e manteve-se na briga. Os gremistas somam 69 pontos contra 72 dos são-paulinos e encerram a participação contra o Atlético-MG, no Estádio Olímpico. Se os gaúchos vencerem e os paulistas forem derrotados, o troféu vai para Porto Alegre. Nesse caso, eles empatarão em pontos, mas o Grêmio levará vantagem no número de vitórias. O favoritismo ainda é do São Paulo, mas não tão flagrante como era até ontem. Basta um empate diante do Goiás - que nada mais busca no Brasileiro -, algo perfeitamente possível, para terminar a disputa no primeiro lugar. Uma vitória dos goianos, no entanto, não seria nenhum absurdo - ontem saíram do Maracanã com o placar de 3 a 3 diante do Flamengo. Ainda mais levando-se em conta que a possibilidade de uma mala branca chegar a Goiânia é bem grande.
O objetivo de Muricy Ramalho e do elenco, por isso, era acabar de vez com o campeonato. "Nossa expectativa era do tamanho dessa torcida", disse o zagueiro André Dias, cabisbaixo, apontando para a arquibancada. "Mas sabíamos que não teríamos facilidades." Os torcedores não imaginavam, nem no pior pesadelo, um tropeço. O Morumbi foi invadido por faixas de campeão e viveu clima de festa desde o início da tarde.
Muricy vai trabalhar para recuperar o entusiasmo dos atletas durante a semana. Missão não tão difícil para um time que era dado, até um ou dois meses atrás, como eliminado da briga pelo título. Os mais famosos comentaristas de televisão e o próprio grupo tricolor diziam que a luta seria, mesmo, por uma vaga na Libertadores. O São Paulo deu a volta por cima e conseguiu incrível reação. Aliás, só deixa de ser campeão se for derrotado, algo que não ocorre desde 17 de agosto, bastante tempo atrás... Naquele dia, os Jogos Olímpicos ainda corriam em Pequim, Barack Obama estava longe de se ver presidente dos Estados Unidos e a crise econômica ganhava força, mas ainda não havia causado os enormes estragos ao mundo.
"Gostaria de estar festejando, quase de férias, mas vamos nos preparar para chegar bem ao próximo jogo, e buscar o título contra o Goiás", afirmou Rogério Ceni. "Tenho certeza de que faremos uma grande partida no Distrito Federal."
A esperança dos são-paulinos era de que essa grande partida ocorresse ontem. Não foi o que houve. O destino não quis que o fim de semana fosse de festa para a nação tricolor. Na noite de sábado, o clube perdeu Marcelo Portugal Gouvêa, ex-presidente e um de seus mais importantes dirigentes.
O São Paulo entrou em campo com uma tarja preta na manga da camisa e o homenageou antes do jogo. Só não conseguiu homenageá-lo com a bola rolando. Em boa parte do confronto do Morumbi o Fluminense esteve melhor. Washington, carrasco dos paulistas nas quartas-de-final da Libertadores, desperdiçou duas boas oportunidades. Luiz Alberto cabeceou uma bola na trave. Tartá, que havia acabado de entrar, abriu o placar no início da 2ª etapa. "Não jogamos bem, o empate até foi bom", reconheceu Muricy, com seu habitual mau humor.
Na base da determinação - sem técnica nem organização tática -, o time da casa chegou ao empate com o artilheiro Borges (autor de 15 gols no Brasileiro), e buscou a vitória até os minutos finais. André Dias quase deixou o campo como herói - acertou a trave -, mas o São Paulo não fez o suficiente para alcançar o triunfo. "Precisávamos de 2 pontos para chegar ao título. O primeiro já conseguimos", observou Muricy.
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