Festival do Rio começa hoje e vai exibir 350 filmes de 60 países
Exibição do novo filme de Almodóvar nesta noite será para convidados. A partir de amanhã, 40 locais da cidade recebem o festival
Importantes convidados internacionais confirmaram presença no Festival do Rio - o diretor italiano Dario Argento, que será homenageado com uma retrospectiva de seus filmes; o chileno Patricio Guzmán, outro homenageado; o diretor Abel Ferrara e o ator Willem Dafoe, ambos norte-americanos, de 4:44; e a espanhola Marisa Paredes. Ela vem para a sessão de abertura, nesta noite, especialmente para apresentar A Pele Que Habito, apontado para estrear nas próximas semanas.

Um filme sobre pulsões de vida e morte, inspirado no cult francês Les Yeux Sans Visage, de Georges Franju, sobre um cirurgião plástico que se vinga do estuprador de sua filha. O filme, como toda obra de Almodóvar - amigo de Caetano Veloso, da Bahia -, tem conexões com o Brasil. E será dada a partida - amanhã, o festival começa para o público, devendo exibir, até dia 18, cerca de 350 filmes de 60 países, distribuídos em 20 mostras e exibidos em 40 locais, entre cinemas de shopping, de rua e praças. Haja energético, mais do que simplesmente energia, para quem se dispuser a assistir a pelo menos uma parte dessa oferta toda. E o festival não se resume aos filmes. Paralelamente, ocorrem, no Rio Market, encontros e negócios para promover o audiovisual.
Panorama do Cinema Mundial, Expectativa 2011, Midnight Movies, Mostra Mundo Gay, Fronteiras, Dox, Filme Doc, Geração, Meio Ambiente, Semana dos Realizadores, Itinerários Únicos, Foco Itália, Imagens de Israel, Made in USA Retrospectiva Dario Argento, Retrospectiva Béla Tarr, que os paulistanos já viram, Homenagem a Patricio Guzmán, Mostra 50 anos da Semana da Crítica (do Festival de Cannes) e, claro, as mostras competitivas Première Latina, que atribui o prêmio da Fipresci (da crítica), e a Première Brasil, que outorga o principal troféu do evento, o Redentor. O Rio é coisa de cinema e a estátua do Cristo, pairando sobre a cidade, virou a representação do prêmio que o festival dá aos melhores do cinema brasileiro.
Capitães de Areia, o longa que Cecília Amado adaptou do romance de seu avô, Jorge Amado, abre amanhã a Première Brasil, coincidindo com a estreia nacional do filme (menos no Rio). Prepare-se para uma intensa emoção - o trio de protagonistas, os jovens atores que fazem Pedro Bala, Dora e o Professor, são viscerais, grandes revelações. Quem leva este ano o Redentor? Que venham os filmes para que os jurados possam fazer suas escolhas - para o público, o que interessa é a festa do cinema. Que títulos escolher, face a uma oferta tão abundante? O festival exibe não um, mas dois filmes de Martin Scorsese, os documentários sobre George Harrison e Fran Lebowitz, Public Speaking; o vencedor do Urso de Ouro, em fevereiro, Separação, de Asghar Farhadi; o vencedor de Toronto, Et Maintenant, on Va Oú?, de Nadine Labaki; e uma das grandes atrações do recente Festival de Veneza, A Dangerous Therapy, de David Cronenberg. A diretora artística Hilda Santiago destaca que, mais do que em anos anteriores, a excelência dos documentários se impõe como um dos destaques do evento. Ela também vê um equilíbrio maior entre novos autores e veteranos, nas mostras Expectativa e Panorama. Tudo pronto, o espetáculo pode começar.
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