Filho de José Alencar tem representação na Petrobrás questionada
Minoritários estrangeiros dizem que não sabiam que empresário, que representa o grupo, tem ligações com o governo
Um grupo de dez instituições financeiras estrangeiras quer indicar de forma independente um nome ao conselho de administração da Petrobrás na assembleia geral deste ano, entre março e abril.
As instituições reclamaram em carta ao ministro Guido Mantega, presidente do conselho, sobre a eleição de Josué Gomes da Silva como representante dos minoritários. O empresário, dono da Coteminas, é filho do ex-vice-presidente da República José Alencar.
Os acionistas estrangeiros reclamam que desconheciam as ligações de Gomes da Silva com o governo. A União controla a estatal, por isso os estrangeiros defendem que o empresário não está apto a representá-los como acionistas minoritários.
As instituições americanas e europeias reclamam, acima de tudo, que o candidato foi eleito antes de terem tido tempo de analisar o nome de Silva de forma independente.
O movimento é liderado pelo fundo global baseado em Londres F&C Management, que administra US$ 177 bilhões em ativos.
Também são signatários o State Board of Administration of Florida (SBAFLA) e Railpen Investments. Os outros sete preferiram manter anonimato.
"Como nos falta conhecimento local sobre candidatos a membro do conselho, não tínhamos conhecimento sobre até que ponto o Sr. Gomes da Silva tinha laços próximos com o atual governo. Ao saber desta informação, não o consideramos a escolha apropriada para este assento, já que este é especificamente designado para defender os interesses de investidores minoritários", disse à Agência Estado Karina Litvack, chefe de governança e sustentabilidade do F&C.
Erro. Karina negou que a empresa tenha deliberadamente induzido acionistas a erro. Mas, destacou que os votos dos acionistas foram direcionados com base em informações incompletas a respeito do candidato.
Silva foi eleito pelos acionistas em dezembro passado em assembleia, sem o voto do controlador. Ele foi indicado ao cargo em substituição a Fabio Barbosa, que renunciou em outubro para ocupar um cargo no Grupo Abril.
A própria indicação de Barbosa já fora alvo de reclamação de minoritários na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Eles alegaram que Barbosa tinha ligação com o governo à época por ser membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e de duas subsidiárias integrais da Petrobrás (PIFCo e BR Distribuidora).
Portanto, se defendia o interesse do controlador em outras funções, não poderia representar minoritários, havendo conflito de interesses.
As instituições negam querer indicar ao cargo um representante exclusivo para estrangeiros e dizem que vão tentar diálogo com a Petrobrás antes de estudar entrar com queixas formais em órgãos reguladores.
"Vemos nossos interesses alinhados com os de minoritários, quer sejam eles brasileiros ou estrangeiros", disse Karina.
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