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15 de Abril de 2010

 

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Filho de José Alencar tem representação na Petrobrás questionada

Minoritários estrangeiros dizem que não sabiam que empresário, que representa o grupo, tem ligações com o governo

28 de janeiro de 2012 | 3h 08
SABRINA VALLE/RIO - O Estado de S.Paulo

Um grupo de dez instituições financeiras estrangeiras quer indicar de forma independente um nome ao conselho de administração da Petrobrás na assembleia geral deste ano, entre março e abril.

As instituições reclamaram em carta ao ministro Guido Mantega, presidente do conselho, sobre a eleição de Josué Gomes da Silva como representante dos minoritários. O empresário, dono da Coteminas, é filho do ex-vice-presidente da República José Alencar.

Os acionistas estrangeiros reclamam que desconheciam as ligações de Gomes da Silva com o governo. A União controla a estatal, por isso os estrangeiros defendem que o empresário não está apto a representá-los como acionistas minoritários.

As instituições americanas e europeias reclamam, acima de tudo, que o candidato foi eleito antes de terem tido tempo de analisar o nome de Silva de forma independente.

O movimento é liderado pelo fundo global baseado em Londres F&C Management, que administra US$ 177 bilhões em ativos.

Também são signatários o State Board of Administration of Florida (SBAFLA) e Railpen Investments. Os outros sete preferiram manter anonimato.

"Como nos falta conhecimento local sobre candidatos a membro do conselho, não tínhamos conhecimento sobre até que ponto o Sr. Gomes da Silva tinha laços próximos com o atual governo. Ao saber desta informação, não o consideramos a escolha apropriada para este assento, já que este é especificamente designado para defender os interesses de investidores minoritários", disse à Agência Estado Karina Litvack, chefe de governança e sustentabilidade do F&C.

Erro. Karina negou que a empresa tenha deliberadamente induzido acionistas a erro. Mas, destacou que os votos dos acionistas foram direcionados com base em informações incompletas a respeito do candidato.

Silva foi eleito pelos acionistas em dezembro passado em assembleia, sem o voto do controlador. Ele foi indicado ao cargo em substituição a Fabio Barbosa, que renunciou em outubro para ocupar um cargo no Grupo Abril.

A própria indicação de Barbosa já fora alvo de reclamação de minoritários na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Eles alegaram que Barbosa tinha ligação com o governo à época por ser membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e de duas subsidiárias integrais da Petrobrás (PIFCo e BR Distribuidora).

Portanto, se defendia o interesse do controlador em outras funções, não poderia representar minoritários, havendo conflito de interesses.

As instituições negam querer indicar ao cargo um representante exclusivo para estrangeiros e dizem que vão tentar diálogo com a Petrobrás antes de estudar entrar com queixas formais em órgãos reguladores.

"Vemos nossos interesses alinhados com os de minoritários, quer sejam eles brasileiros ou estrangeiros", disse Karina.


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