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15 de Abril de 2010

 

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Fitch rebaixa rating da Espanha e da Itália com perspectiva negativa

Agência também corta nota de crédito da Eslovênia, Bélgica e Chipre; italianos ficaram apenas um nível acima do grau especulativo

28 de janeiro de 2012 | 3h 09
NOVA YORK - O Estado de S.Paulo

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou ontem as notas de crédito soberano de Itália, Espanha, Eslovênia, Bélgica e Chipre, indicando que há uma chance em duas de mais cortes do rating nos próximos dois anos.

Em comunicado, a Fitch informou que esses países estão vulneráveis no curto prazo a choques monetários e financeiros. "Consequentemente, essas dívidas soberanas, na visão da Fitch, não agregam os benefícios integrais do status do euro como moeda de reserva", afirmou a agência.

A Fitch reduziu a classificação da Itália de A+ para A-; da Espanha de AA- para A; da Bélgica de AA+ para AA; da Eslovênia de AA- para A; e do Chipre de BBB para BBB-, o que coloca a nação apenas um nível acima do grau especulativo. A agência atribuiu a todos os ratings perspectivas negativas.

"De modo geral, as mudanças de hoje nos ratings balanceiam a deterioração das projeções econômicas e tanto as iniciativas substanciais na política nacional com o fim de lidar com desequilíbrios macrofinanceiros e fiscais, quanto o sucesso inicial da operação de refinanciamento do Banco Central Europeu), de três anos, em aliviar pressões soberanas e de financiamento bancário a curto prazo", informou a Fitch.

A decisão da Fitch segue a tomada pela Standard & Poor's no dia 13 quando rebaixou o rating de 9 dos 17 países da zona do euro. A S&P baixou em dois níveis as notas da Itália, Espanha, Portugal e Chipre. Os bônus da Itália ficaram classificados como BBB+, o degrau mais baixo antes de o país perder o chamado grau de investimento, nível considerado seguro pelo mercado financeiro. França, Áustria, Malta, Eslováquia e Eslovênia caíram um degrau na classificação, com os dois primeiros perdendo a nota máxima, o triplo A. Foi mantida pela S&P a nota máxima da Alemanha, da Finlândia, da Holanda e de Luxemburgo.

Espanha. Além do rebaixamento, a Espanha amargou ontem mais notícias ruins no front econômico. O desemprego bateu recorde e o governo de Mariano Rajoy pede que a Europa reavalie o prazo dado ao país para reduzir seu déficit, sob o temor de que mais medidas de austeridade criem um caos social. Até 2014, a Espanha não saberá o que é crescimento, segundo o FMI.

Dados oficiais indicaram ontem que o desemprego atingiu pela primeira vez na história do país mais de 5,3 milhões de pessoas, o pior de toda a União Europeia. No último trimestre de 2011, mais 350 mil perderam o emprego. Em um ano, o aumento foi de 660 mil. Desde o início da crise, a Espanha já fechou 3,5 milhões de postos de trabalho e a taxa chega a 22,8%.

Pela primeira vez, mais da metade dos jovens (51,2%) estão sem trabalho e 1,5 milhão de famílias não têm ninguém trabalhando. A situação é mais grave na Andaluzia, onde 31% da população não tem trabalho.

Como resultado da política de cortes, 85 mil funcionários foram demitidos em apenas três meses. Mas é no setor da construção que a queda é a maior.

A situação deve ficar ainda pior este ano. Em 2011, o aumento do desemprego ocorreu mesmo com uma expansão da economia. Em 2012, a previsão é de uma contração de 1,7% do PIB.

Rajoy manteve várias reuniões com líderes europeus nos últimos dias na tentativa de convencer Berlim e Paris a abandonarem a ideia de que a Espanha terá de atingir sua meta de déficit em apenas um ano. Para passar de uma dívida de 8% do PIB hoje para 4,4% em um ano, o governo teria de cortar o orçamento em 40 bilhões, aprofundando ainda mais a crise. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS E JAMIL CHADE, DE GENEBRA


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