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França e EUA unem forças para punir o Irã

Sanções contra Teerã 'são o único caminho', dizem Gates e Sarkozy

09 de fevereiro de 2010 | 0h 00
JAMIL CHADE, AP E REUTERS, PARIS - O Estadao de S.Paulo

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, pediram ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que adote "duras sanções" contra o Irã. O pedido é uma resposta à decisão tomada no domingo pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de enriquecer seu próprio urânio, sem enviar o material ao exterior para que seja processado. O Ocidente teme que Teerã obtenha a capacidade de produzir uma bomba nuclear.

"Infelizmente, este é o momento de adotar duras sanções com a esperança de retomar o diálogo" com o Irã, disse, em comunicado, o governo francês, logo após uma reunião de mais de uma hora entre Gates e Sarkozy, em Paris.

Apesar de viver sob embargo há quase 30 anos, Teerã anunciou ontem que começará a produzir baterias antiaéreas, aviões não-tripulados e novos radares. Teerã também anunciou que caminha para a autossuficiência em termos de defesa antiaérea. O recado é que o regime tem sua capacidade militar intacta e estaria preparado para responder a um ataque.

Ontem, em Viena, o governo do Irã confirmou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que começará a enriquecer urânio a 20%. Segundo o representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, o combustível seria enviado para a região central do país. Além do enriquecimento de urânio, Teerã planeja construir dez usinas nucleares no próximo ano.

"Convidamos os inspetores da AIEA a estar presentes no local do enriquecimento", afirmou Soltanieh à rede de TV Al Alam. Segundo ele, por mais de oito meses o Irã indicou que precisava de combustível. Ele ainda destacou que a negociação não progrediu nos últimos quatro meses com o Ocidente. O embaixador garante que o Irã continua querendo negociar. Mas a opção pelo enriquecimento foi tomada após o impasse nas conversações com o sexteto (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha).

Pela proposta da AIEA, Teerã exportaria seu urânio enriquecido a 3% para que fosse processado a 20% na Rússia e França. O combustível alimentaria o reator nuclear usado para pesquisas médicas. Mas o uso militar seria proibido. No entanto, não houve acordo.

Na Europa, o anúncio do Irã foi considerado como uma mensagem de que Teerã perdeu a paciência e não dependerá de países estrangeiros para obter o combustível. Diversas autoridades no Irã insistiram nos últimos dias que ainda estariam dispostas a rever a ideia se receberem do exterior urânio enriquecido a 20% imediatamente.

SANÇÕES

Americanos e europeus, temem que o processo de enriquecimento anunciado pelo Irã seja mais um passo na direção da autossuficiência em produção de material bélico nuclear. Neste caso, o urânio teria de ser enriquecido a 90%.

ENDURECIMENTO

Tanto a Casa Branca quanto o Palácio do Eliseu optaram por endurecer o discurso. O governo americano indicou que não resta outra alternativa a não ser novas sanções. Gates pediu à comunidade internacional que adote "novas ações". Já a França chamou a medida iraniana de "chantagem".

Gates insistiu que os americanos ainda querem uma "saída pacífica". "Mas o único passo que nos restou neste momento é a pressão. Isso exigirá que toda a comunidade internacional atue de forma conjunta", disse. Segundo ele, a comunidade internacional já teria dado ao Irã "múltiplas oportunidades" no passado.

"Lamentavelmente, será necessário lançar um diálogo com a comunidade internacional que levará a novas sanções se o Irã não interromper seus programas", acrescentou o ministro da Defesa da França, Hervé Morin. O chanceler francês, Bernard Kouchner, foi ainda mais enfático. "Esta é uma verdadeira chantagem", disse. "A única coisa que podemos fazer é aplicar sanções, pois as negociações são impossíveis", completou. Ele admitiu que um acordo no Conselho de Segurança entre China, Rússia, EUA, França e Grã-Bretanha não será fácil. Um dos países a ser convencidos é a China, que ainda defende o diálogo.

A Rússia também se mostra reticente quanto a novas sanções e ontem Moscou pediu ao Irã que envie seu urânio ao exterior. Já o chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, sugeriu que a comunidade internacional prepare medidas em resposta, entre elas sanções econômicas.

Na Alemanha, o ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, qualificou a negociação com o Irã como uma "farsa". "Precisamos considerar com muito cuidado que impacto nossas opções podem ter. Talvez as sanções precisem de ajustes", afirmou. "Ao mesmo tempo, é preciso deixar claro para o Irã que a paciência está chegando ao fim."