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Frieza do Brasil afasta Ahmadinejad

08 de janeiro de 2012 | 3h 04
ROBERTO SIMON - O Estado de S.Paulo

Tentando demonstrar que o Irã não está isolado, o presidente Mahmoud Ahmadinejad inicia hoje mais um tour pela América Latina (o sexto, em sete anos). Passará por velhos aliados - Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador - e possivelmente esticará até a Guatemala. Mas o governo brasileiro, desta vez, nem sequer foi sondado por Teerã sobre uma possível escala de Ahmadinejad no País - sinal de como esfriou a relação Irã-Brasil.

Recém-eleita, a presidente Dilma Rousseff havia criticado a situação dos direitos humanos no Irã e, em junho, o Brasil apoiou a criação de um relator da ONU sobre o tema. Houve sinais contraditórios em seguida: Dilma se recusou a receber a dissidente iraniana Nobel da Paz, Shirin Ebadi, e, em novembro, o Brasil voltou a se abster na ONU.

Mesmo assim, iranianos entenderam que os dias de abraços calorosos entre Ahmadinejad e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam acabado. Irritados, propositadamente "ignoraram" o Brasil no novo tour.

Em Manágua, Ahmadinejad assistirá à posse do presidente Daniel Ortega, reeleito em novembro. Dilma não irá à cerimônia e será representada pelo assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia - que não tem em sua agenda nenhum encontro com o líder iraniano.

A visita de Ahmadinejad à Guatemala iniciou um forte debate no país centro-americano. O iraniano assistiria à cerimônia de posse do presidente Otto Pérez Molina, direitista que promete afastar seu país da Venezuela e aproximar-se dos EUA. Sob críticas, Molina disse ter convidado "mais de 150 líderes".

Washington. Nos EUA, pré-candidatos republicanos tentarão usar o fantasma da "infiltração iraniana" na América Latina para criticar o presidente Barack Obama, diz Stephen Johnson, ex-número 2 da área de América Latina do Pentágono. Mas a viagem "em si" não preocupa a inteligência de Washington.

O principal, diz Johnson, é que os EUA não sabem exatamente o que empresas iranianas, sobretudo mineradoras, estão fazendo em países como Venezuela. "Por razões técnicas, não faz sentido para elas tentar levar urânio para reatores do Irã. Essas companhias podem estar tentando obter outros tipos de materiais. Mas dizer que se trata de uma 'ameaça' é especulação."




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