ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Você está em Notícias > Política

'Fui um burocrata do DOI-Codi', afirma delegado

Calandra admite ter atuado no órgão ao ser confrontado com documento do Exército, mas nega ter participado de sessões de tortura

13 de dezembro de 2013 | 2h 03
O Estado de S.Paulo

O delegado aposentado da Polícia Civil Aparecido Laerte Calandra, apontado por testemunhas como torturador de presos políticos durante a ditadura militar, negou todas as acusações contra ele em depoimento prestado ontem à Comissão Nacional da Verdade e disse ter sido "um burocrata" do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

Calandra, conhecido na época pelas testemunhas como "Capitão Ubirajara", atuou por quase dez anos no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) em São Paulo, onde militantes de esquerda foram presos e torturados. "Nunca violei os direitos humanos, nunca torturei", afirmou Calandra ao prestar esclarecimentos à comissão, ontem, no gabinete da Presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista.

A avaliação dos integrantes do colegiado é de que Calandra se afundou em contradições ao longo do depoimento. Ele chegou a negar ter trabalhado no DOI-Codi, mas foi obrigado a se corrigir depois que o coordenador da comissão, Pedro Dallari, apresentou um documento no qual o II Exército elogiava a atuação de Calandra "pelas diversas atividades de combate à subversão e ao terrorismo". Ao ver o documento, Calandra admitiu que foi "um burocrata do DOI-Codi" - e afirmou, em seguida, que nunca ouviu gritos nem queixas dos vizinhos ao local onde trabalhava.

"O depoimento (de Calandra) foi muito pouco crível. As evidências são robustas contra ele", disse Dallari. Outro integrante da comissão, o advogado José Carlos Dias, afirmou que o depoimento de Calandra foi "uma desfaçatez". "Várias pessoas vieram contar os horrores que passaram. E ele nega tudo isso. É impossível. É uma desfaçatez", disse o advogado.

Num segundo momento, questionado pela comissão sobre o jornalista Vladimir Herzog, morto por torturadores da ditadura militar nas dependências do DOI-Codi em 1975, Calandra voltou a se contradizer. Negou saber que Herzog fora detido no DOI-Codi, mas recuou depois de a comissão apresentar ao ex-delegado um pedido de sua autoria solicitando perícia da morte de Herzog. Calandra confirmou ser o autor do pedido, mas disse que não tinha conhecimento das circunstâncias da morte do jornalista.

Questionado, ao final, sobre o que tinha ouvido das testemunhas, Calandra afirmou que "dorme muito bem". Em resposta, ouviu dos poucos ex-presos políticos que acompanhavam a sessão gritos de "assassino mentiroso" e "torturador".

Torturados. Antes de colher o depoimento do ex-delegado, a Comissão ouviu relatos de sete pessoas que afirmaram ser vítimas de torturas praticadas por Calandra. Uma delas foi a advogada aposentada Darci Toshiko Miyaki.

Ela disse que ficou estéril após passar pelas torturas praticadas pelo delegado. Segundo ela, o ex-delegado dava choques elétricos dentro de sua vagina. "Ele enfiava o dedo para colocar os fios e praticava pessoalmente os choques", relatou a advogada.




Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui

Siga o Estadão

Cerveró discorda que Pasadena era mau negócio

  • Cerveró discorda que Pasadena era mau negócio
  • Pasadena não foi um bom negócio, diz Graça Foster
  • Candidatos de oposição escolhem São Paulo para sediar campanha



Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo