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15 de Abril de 2010

 

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Fundador da Glencore burlou embargo dos EUA ao Irã

Maior empresa de commodities do mundo também foi acusada de comprar petróleo ilegalmente no Iraque

08 de fevereiro de 2012 | 3h 09
GENEBRA - O Estado de S.Paulo

O poder exato da Glencore só foi revelado há cerca de um ano, quando a empresa entrou no mercado de ações, em uma das maiores aberturas de capital da história da Europa. O processo revelou a dimensão da maior companhia de recursos naturais do planeta. A Glencore negocia cerca de 38% do mercado de alumínio, 30% do de cobalto e um porcentual significativo também em grãos, níquel e petróleo.

Com sede em Baar, modesta cidade do interior da Suíça, a companhia faz parte do pequeno grupo econômico que tem o poder de influenciar os preços internacionais de minérios, produtos agrícolas e energia.

Presente em mais de 40 países, a Glencore tem mais de 2,7 mil empregados apenas para o departamento de vendas, em 50 escritórios. Há outros 54,8 mil nas operações industriais.

Na realidade, a Glencore está em praticamente todos os lugares onde existem recursos naturais. Em 2010, registrou vendas de US$ 145 bilhões. Até 2015, a previsão é de dobrar a produção de minério e carvão.

Nos últimos anos, deixou de ser apenas uma trader e investiu em sua própria produção. Comprou usinas de açúcar no Brasil, mineradoras na Colômbia, blocos de petróleo na África e em outras regiões do mundo.

Mistério. A maior empresa de commodities do mundo, porém, também tem uma história cercada de polêmicas. Foi criada pelo trader americano Marc Rich, alvo de escândalo nos EUA no final dos anos 70 por manter um comércio secreto com o Irã, apesar do embargo de Washington. Nos anos 80, ele fugiu para a Suíça, após ser indiciado por evasão fiscal. Seria apenas no último dia do governo de Bill Clinton que a Casa Branca perdoaria Rich.

Mas as polêmicas continuariam. A empresa foi uma das principais citadas pelas investigações sobre o escândalo de corrupção na ONU, em 2005, e a compra ilegal de petróleo de Saddam Hussein, no Iraque. Há dois anos, recebeu multa de US$ 700 mil na Colômbia por degradação ambiental, e foi acusada de pagar propina em Honduras.

Hoje, sabe-se apenas que 485 funcionários da Glencore têm ações da empresa, mas não se conhece o acionista majoritário. O segredo já virou mito no mercado. Há sete anos, quando a empresa decidiu abrir um site com poucas informações, traders se apressaram para imprimir cada página, acreditando ser o erro de um estagiário. / J.C.


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