12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Girassol tem ''segunda chance'' no País

Investimento de indústrias locais e multinacionais em produtos saudáveis dá fôlego à cultura e garante o escoamento da produção

01 de agosto de 2010 | 0h 00
Fernando Scheller - O Estado de S.Paulo

O cultivo de girassol entra em uma nova fase no País, graças à necessidade das fabricantes de alimentos de oferecer produtos mais saudáveis ao consumidor. Agricultores que antes lutavam para escoar a safra agora já plantam sabendo que têm venda garantida, a um preço previamente acertado com os compradores. E a tendência é que indústrias locais e multinacionais intensifiquem a procura pelo produto nos próximos anos.

Tudo isso, ainda, em uma escala relativamente pequena. Depois que a promessa do uso do girassol para o biodiesel não decolou - por conta do alto custo em relação à soja, por exemplo -, uma iniciativa da Pepsico deu novo fôlego à formação de um mercado profissionalizado para a cultura. A gigante multinacional, que já lançou versões dos salgadinhos Ruffles, Fandangos e Cheetos com óleo de girassol, somará 15 mil hectares de área exclusiva na safra 2010/2011, alta de 50% em relação ao ciclo anterior.

A Pepsico tem a meta mundial de triplicar o faturamento em produtos saudáveis até 2020. Entre os objetivos da companhia está a redução de 15% da gordura saturada de sua linha. O presidente da divisão de alimentos da companhia na América do Sul, Otto Von Sothen, diz que o óleo de girassol poderá ser adicionado a outros produtos nos próximos anos, incluindo a linha Lucky, destinada à classe C.

Segundo Newton Yorinori, diretor agrícola da divisão de alimentos da Pepsico na América do Sul, o girassol traz um ganho em relação a outras culturas: enquanto o óleo de palma tem 50% de gordura saturada, a variedade de girassol usada pelo grupo no País reduz o índice a 10%.

A Pepsico controla a produção do óleo de girassol adicionado a seus produtos desde a seleção das sementes até a industrialização. De acordo com Osmar Giovelli, que organiza os produtores da empresa no Rio Grande do Sul, as sementes são entregues na lavoura e o produto é recolhido por caminhões, para que o girassol com alto teor de óleo da multinacional não se misture a outras variedades do grão. O óleo é processado localmente e enviado a fábricas da Pepsico que produzem salgadinhos, como a de Curitiba.

A goiana Caramuru Alimentos, dona da marca de alimentos Sinhá, também organiza a própria produção de girassol. A empresa processa hoje 20 mil toneladas de girassol por ano, o que se traduz em cerca de 9 milhões de garrafas vendidas no varejo.

Segundo o diretor comercial e de marketing da Caramuru, Anderson Miranda, é preciso incentivar o produtor para garantir o atendimento à demanda do óleo de girassol da empresa, que cresce 12% ao ano. "Fomentamos o plantio, inspecionamos a lavoura, armazenamos o produto e garantimos a compra", explica.

No varejo, o óleo de girassol, por conta de seu diferencial de "produto saudável", é vendido por cerca de R$ 3,50, contra cerca de R$ 2 do óleo de soja. De olho neste consumo, a Heliagro, que pertence à Terasol, de capital holandês, está expandindo o fomento ao plantio de girassol em vários Estados. Na safra que termina este mês, a empresa contratou 10 mil hectares de girassol, área que vai dobrar no próximo plantio, no início de 2011.

Segundo Gilberto Grando, diretor técnico da Heliagro, o objetivo é chegar a 50 mil hectares em 2012. Ele diz que, para formar o mercado, a empresa garantirá os preços de Chicago ao produtor. Maior fornecedora de sementes de girassol do País, a empresa está de olho na expansão das indústrias de alimentos e de biodiesel no País. "Mas acho que o futuro do girassol é o alimento. Faz sentido fazer combustível da soja e consumir o girassol, que tem mais qualidade", diz.

Biocombustíveis. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, que incluiu o girassol em seu programa de biodiesel, a área plantada do produto no País é de 110 mil hectares - o que, segundo dados de mercado, é suficiente para abastecer a metade da demanda nacional pelo produto. O restante é importado da Argentina, principalmente. Um estudo do próprio ministério vê pouco futuro para o girassol no biocombustível, afirmando que soja, milho e canola são mais adequadas a esta finalidade.

Siga o @EstadaoEconomia no Twitter