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Gols inesquecíveis

O de Basílio, em 77, faz história pelo significado, mas Marcelinho e Ronaldo também constroem obras de arte na Vila Belmiro

01 de setembro de 2010 | 0h 00
- O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Existe uma unanimidade em 100 anos de história do Corinthians. Nenhum torcedor tem dúvida: o gol marcado por Basílio, aos 36 minutos do segundo tempo, no terceiro jogo da decisão contra a Ponte Preta, no Campeonato Paulista de 1977, é o mais importante nos 100 anos da história corintiana.

O lance, que quebrou o jejum de 22 anos sem títulos, poderia ter sido do ponta-direita Vaguinho, que acertou o travessão do goleiro Carlos ou do lateral-esquerdo Wladimir, que teve sua cabeçada rebatida pelo zagueiro Oscar. O destino quis que a bola sobrasse limpa para o camisa 8. "Eu só me preocupei em pegar de bate-pronto", relembra o eterno "Pé de Anjo".

Após 16 anos do título histórico, a torcida corintiana elegeu mais um "Pé de Anjo". Foi Marcelinho Carioca, dono de chute poderosíssimo, vindo do Flamengo, em dezembro de 1993. Foram 206 gols marcados, o que coloca o meia em quinto na lista dos artilheiros.

O mais bonito foi em 1996, frente ao Santos, na Vila Belmiro. A obra de arte, com direito a chapéu fantástico no zagueiro Ronaldo Marconato e chute preciso diante do goleiro Edinho, filho de Pelé, lhe rendeu uma placa, pedida pelo próprio Rei do Futebol.

Outros dois gols marcantes na história corintiana tiveram o Santos como adversário. O do meia Paulo Borges da intermediária, que abriu o placar em 1968, no jogo da quebra do tabu, no Pacaembu, é sempre apontado por sua importância numa vitória que valeu como um título.

Ano passado, na Vila Belmiro, Ronaldo comandou o Corinthians no primeiro jogo da decisão do Paulista, com dois gols na vitória por 3 a 1. O segundo, de cobertura, diante do goleiro Fábio Costa, fez os santistas relembrarem momentos do Rei Pelé.

Ruço contra a Máquina. Na lendária Invasão do Maracanã, em 1976, os 70 mil corintianos que lá estiveram dividindo o maior estádio do mundo com a torcida do Fluminense. E foram à loucura quando o volante Ruço desviou de meia bicicleta a cabeça de Geraldão e enganou o goleiro Renato para empatar o jogo.

O Corinthians ganharia a vaga para a final do Campeonato Brasileiro contra o Internacional nos pênaltis, acabando com o favoritismo do Tricolor carioca, apelidado de "A Máquina" por causa do grande número de craques presentes no elenco, incluindo o craque Rivellino.

Em 1983, outro gol ficou registrado na memória dos corintianos. Por dois motivos. Primeiro: foi o sétimo na goleada histórica sobre o Tiradentes-PI, por 10 a 1, no Canindé. Segundo: por sua plástica. Com grande estilo, o lateral-esquerdo Wladimir realizou o movimento perfeito da bicicleta para fazer o seu gol mais bonito entre os 34 que marcou com a camisa do time do Parque São Jorge, em 805 jogos oficiais.

Basílio/1977
Zé Maria cobra falta na ponta-direita, aos 36 minutos do segundo tempo. Basílio resvala de cabeça e Vaguinho chuta forte de pé esquerdo no travessão de Carlos, goleiro da Ponte Preta. A bola volta para o meio da área e Wladimir cabeceia firme, mas a bola bate na cabeça do zagueiro Oscar. No rebote, Basílio pega de bate-pronto perto da marca do pênalti, de pé direito, e faz o gol da vitória no terceiro jogo da decisão do Campeonato Paulista. O camisa 8 corintiano corre até a bandeirinha de escanteio para festejar o momento histórico. Era o fim do jejum de títulos que durava 22 anos. Explosão de alegria e delírio dos 86.677 torcedores presentes ao Estádio do Morumbi, naquela noite de quinta-feira, 13 de outubro de 1977.

Ronaldo/2009
Elias rouba a bola no meio de campo e lança Ronaldo. O Fenômeno dribla Triguinho e toca por cobertura, na saída de Fábio Costa para fazer o terceiro gol do Corinthians no primeiro jogo da decisão do Paulista de 2009, na Vila Belmiro. O Corinthians venceu por 3 a 1 e ficaria com o título no jogo seguinte, com um empate (1 a 1) no Pacaembu.

Paulo Borges/1968
Paulo Borges recebe na meia esquerda, de frente para o gol de Cláudio, goleiro do Santos, aos 13 minutos do segundo tempo. Sem marcação, o camisa 8 dispara um forte chute, que vai no ângulo esquerdo. O Corinthians venceu por 2 a 0 (o segundo gol foi de Flávio) e acabou com o tabu de 11 anos e 22 jogos sem vitória sobre o time de Pelé, Edu e cia.

Marcelinho/1996
Tupãzinho passa a bola para Marcelinho Carioca. O camisa 7, na corrida, toca de chaleira, dá um chapéu no zagueiro Ronaldo Marconato e bate, sem deixar a bola cair, de chapa na saída do goleiro Edinho, filho de Pelé, aos 21 do segundo tempo. O jogo acabou 2 a 2, mas Pelé, que estava na Vila Belmiro, sugeriu que uma placa fosse entregue ao "Pé de Anjo".

Wladimir/1983
O ponta-esquerda Paulo Egídio cruza na área do Tiradentes-PI, aos 8 minutos do segundo tempo. Wladimir, quase na marca do pênalti, acerta uma bicicleta magnífica, perfeita. Foi o sétimo gol na goleada histórica por 10 a 1, no Estádio do Canindé, pelo Campeonato Brasileiro. Os 17.821 torcedores presentes jamais esqueceram o resultado e o gol.

Ruço/1976
Vaguinho cobra escanteio na ponta esquerda, aos 30 minutos do primeiro tempo. Geraldão sobe de cabeça e toca em direção ao gol. Ruço, de meia-bicicleta, desvia do goleiro Renato e empata o jogo diante do Fluminense na semifinal do Brasileiro de 1976. O Corinthians garantiu vaga na decisão diante do Inter com uma vitória nos pênaltis por 4 a 1.



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