Governo conciliador é incapaz de resolver disputas na Líbia
Um ano após início de revolta, presidente Mustafa Abdel Jalil tem dificuldade para agregar diferentes brigadas
Milhares de pessoas reuniram-se ontem em Benghazi, na Praça da Libertação, para lembrar o começo da revolução há um ano, naquele mesmo lugar, quando ainda se chamava Praça dos Mártires. Mulheres levavam fotos de seus filhos mortos na guerra civil. O governo de transição, agora instalado em Trípoli, explicou que não celebraria oficialmente o aniversário, em respeito aos milhares de mortos. Mas talvez o governo do presidente Mustafa Abdel Jalil não tenha o que comemorar.
Seis meses depois da tomada de Trípoli e quatro meses depois da morte de Muamar Kadafi, a capital líbia continua ocupada pelas diversas brigadas que participaram da guerra civil, oriundas das principais cidades do país. Sem querer deixar a capital com receio de sair perdendo na repartição do poder, elas mantêm bases estratégicas em Trípoli, instalam vários postos de controle nas ruas e estradas e frequentemente entram em choque entre si. Quase todo cidadão da Líbia mantém consigo um fuzil, diante das múltiplas incertezas e ameaças, e da ausência de um Exército nacional reconhecido como tal.
Conciliador. Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça de Kadafi, sagrou-se líder unânime da revolução por sua capacidade de conciliar as diferentes tendências, de kadafistas a islâmicos, passando pelos mais liberais, e acima de todas as disputas entre tribos e cidades.
Agora, precisamente essas qualidades parecem um obstáculo para o governo de transição dar o passo seguinte: o de criar um poder nacional unificado, civil e militar, que necessariamente contrariará muitos interesses, mas galvanizará a transição para um novo regime.
A força mais organizada e unida é a dos islâmicos, o que assombra uma grande parcela da sociedade líbia, que cultiva o secularismo.
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