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15 de Abril de 2010

 

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Governo francês defende protecionismo

Ministério da Indústria vai fiscalizar o porcentual de produtos 'Made in France' nos produtos, que cai ligeiramente há uma década

02 de setembro de 2010 | 0h 00
Andrei Netto CORRESPONDENTE PARIS - O Estado de S.Paulo

A guinada à extrema-direita feita em julho por Nicolas Sarkozy não se limita mais ao campo político. O ministro da Indústria da França, Christian Estrosi, defendeu abertamente ontem o aumento do protecionismo econômico no país e na União Europeia.

À frente de um dos ministérios estratégicos da política econômica, Estrosi afirmou que o protecionismo "não é um palavrão". As declarações foram feitas após a revelação de um estudo mostrando que a proporção de produtos "Made in France" está em ligeira queda há 10 anos.

O declínio do índice de nacionalização foi indicado em pesquisa feita pelo Ministério da Indústria. Entre 1999 e 2009, o porcentual de peças feitas em 10 setores, como as indústrias automobilística, aeronáutica, ferroviária, de saúde, além da moda e do luxo, caiu de 67% para 64% do total. Apesar de pequeno, o recuo preocupa o governo, que anunciou a criação do Observatório do Produto Francês para fiscalizar a participação do "Made in France" na indústria.

Componentes importados. De acordo com estudo do observatório, "os produtos franceses contêm globalmente mais peças de fabricação estrangeira que antigamente". Um exemplo: um automóvel de ? 10 mil tem o equivalente a ? 3,6 mil em componentes produzidos fora do país. Em contrapartida, peças francesas também são mais utilizadas pela indústria de outros países. A compensação não convence o ministro, que defendeu a preservação da indústria por meio da intervenção do Estado.

Questionado na rádio RMC sobre o risco de as medidas serem consideradas "protecionismo", Estrosi foi claro: "Meu dever hoje é dizer que estas palavras não são palavrões. São palavras nobres que farão com que a França volte a ser uma grande potência no cenário internacional, triunfando em sua revolução industrial". O ministro ainda reforçou sua opção pelo protecionismo: "Eu o reivindico e o assumo".

Para o executivo, a imposição de barreiras aos produtos estrangeiros pode ser a solução para aumentar a atividade do setor na França "em 25% até 2015", além de ajudar a reverter a suposta perda de 600 mil empregos na última década. Estrosi afirmou ainda que a França convidará a União Europeia a rediscutir as regras sobre a origem de produtos, sugerindo a proteção dos bens produzidos na Europa, frente à concorrência internacional.

A proposta não foi comentada pela Comissão Europeia. Entre especialistas em política industrial, a ideia de uma produção 100% nacional prejudicaria a competitividade no cenário externo. "Fabricar tudo na França seria equivalente a fazer produtos de luxo, que custariam muito mais caro", diz Gilles Le Blanc, professor da Escola de Minas, de Paris. "Como convencer o consumidor a comprar o 100% francês? Para ele, trata-se antes de tudo "de ser competitivo".

Segundo Le Blanc, a bandeira do 100% "Made in France" tem apelo na opinião pública. Pesquisas indicam que 90% da população associa os bens franceses à qualidade, e 88% dizem que comprar produtos nacionais é meio de sustentar a indústria do país.

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