12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Governo grego tenta hoje fechar acordo

País precisa apresentar novo plano de austeridade para receber 130 bilhões

08 de fevereiro de 2012 | 3h 07
JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

Paralisada e diante da violência de manifestantes que saíram às ruas para protestar contra as medidas de austeridade, a Grécia corria para não perder o prazo dado pela União Europeia (UE) para fechar um acordo de resgate. Na noite de ontem, o governo de Lucas Papademos garantia que um rascunho do acordo tinha sido finalizado.

Hoje, os líderes do governo devem se reunir para aparar as arestas e bater o martelo em cima de um documento final. Se isso acontecer, o projeto então será enviado aos ministros de Finanças da UE, que, amanhã, poderão dar o sinal verde para um novo pacote de ajuda para a Grécia. O governo garantiu que todos os partidos estão de acordo com a reforma. Mas não é a primeira vez que Atenas faz esse tipo de promessa.

Durante o dia, a notícia de que o governo já estaria redigindo o acordo fez as bolsas subirem. Mas o mercado se frustrou com a notícia de que a reunião, que deveria ter ocorrido ontem, seria adiada. O argumento oficial para mais um adiamento foi de que os líderes das principais forças políticas gregas não haviam recebido ainda o projeto e queriam estudar as implicações de cada uma das leis antes de voltarem a se reunir.

A UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) deixaram claro que não vão autorizar um novo pacote de 130 bilhões para salvar a Grécia se o país não atender às exigências de cortes.

O impasse se concentrava na insistência da UE em reduzir os salários em pelo menos 20%. No fim do dia, a resistência à proposta foi aliviada, depois que o 13.º e 14.º salários foram mantidos. Mesmo assim, os diferentes líderes políticos gregos têm insistido que não estão dispostos a aceitar um projeto que apenas aprofundaria a recessão, numa manobra que também é vista como um jogo político para mostrar força antes das eleições de abril e não perder a confiança dos eleitores.

Sem dramas. Ontem, pela primeira vez, uma comissária europeia admitiu que a saída da Grécia da zona do euro não seria um desastre, no que foi interpretado como um sinal claro de que Bruxelas já busca uma estratégia para que a volta do dracma na Grécia não signifique o fim da moeda comum. Para o Citibank, nunca as possibilidades de Atenas abandonar o euro foram tão altas quanto agora, com mais de 50%.

Mas, cada vez que os prazos europeus são desrespeitados, cresce a percepção de que a Grécia não terá outra solução que não seja o calote. O impasse já abriu caminho para que políticos europeus comecem a minimizar a saída do país da zona do euro, já preparando um eventual fracasso. Em entrevista a um jornal holandês, a comissária da UE para políticas de tecnologia, Neelie Kroes, reconheceu abertamente que a exclusão de Atenas não seria um desastre. "Sempre foi dito que se deixarmos um país cair, toda a estrutura entrará em colapso. Mas isso não é verdade."

Já o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, se apressou em atenuar as declarações da colega. "Todos os olhos da Europa estão direcionados para Atenas. O custo de um calote grego ou de uma saída da zona do euro seria muito maior que o custo de apoiá-la", disse. "Estamos em um momento crítico para o futuro da Grécia e do euro."

Greve. Mas aos políticos da UE e da Grécia bastava olhar pela janela de seus gabinetes para entender o tamanho da crise. Uma greve geral parou o país. Mais de 20 mil pessoas tomaram as ruas do centro e, em choques com a polícia, dezenas ficaram feridos. "Tenho fome", dizia um cartaz, enquanto jovens queimavam bandeiras nazistas e da Alemanha na praça central.

"Os políticos estão cometendo um crime contra o país, estão levando pessoas à pobreza", disse Vangelis Moutafis, um dos dirigentes da central sindical GSEE. A União dos Sindicatos Europeus saiu em defesa dos gregos. "Trabalhadores gregos estão sendo jogados para o limite do que é aceitável em termos de restrições", alertou a secretária-geral da entidade, Bernadette Segol.


Siga o @EstadaoEconomia no Twitter