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Governo reforça segurança em área de conflito

Portaria estende a presença de tropas da Força Nacional em MS, onde há tensão entre índios e fazendeiros

30 de novembro de 2013 | 2h 06
ROLDÃO ARRUDA - O Estado de S.Paulo

O aumento das tensões em torno de conflitos fundiários em Mato Grosso do Sul levou o Ministério da Justiça a ampliar a permanência da Força Nacional de Segurança Pública no Estado. De acordo com portaria publicada ontem no Diário Oficial, os integrantes daquela força ficarão por mais 90 dias em território sul-mato-grossense.

A missão deles, diz a portaria, será colaborar "nas ações de prevenção e repressão a conflitos agrários, bem como na prevenção aos crimes contra as comunidades indígenas, contra lei de segurança nacional, em combate ao tráfico de armas".

A portaria também diz que o efetivo daquela força será definido pela Polícia Federal e outras autoridades envolvidas com a segurança local.

A Força Nacional tem participado de ações relacionadas à demarcação de terras indígenas no Estado desde 2011. O efetivo foi reforçado em maio, após o conflito da Fazenda Buritis, no município de Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande. Uma liderança indígena morreu durante a ação de reintegração de posse da área.

Na ocasião, o governo federal criou um grupo de trabalho com a missão de resolver a questão da posse daquela área. Mas, passados quase seis meses, o impasse continua, ao mesmo tempo que crescem as tensões e temores de violência.

Na segunda-feira, o ministro José Eduardo Cardozo enviou um grupo de assessores ao Estado. Após ouvirem lideranças indígenas, ruralistas, autoridades estaduais e representantes da Polícia Federal, eles sugeriram a permanência da Força.

Prazo. Essa decisão também estaria relacionada ao fim do prazo dado por ruralistas às autoridades para que encontrem uma solução para Sidrolândia, período que expira hoje.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul marcou para o próximo dia 7 um leilão destinado a arrecadar fundos para a contratação de serviços de segurança particular. A iniciativa causou apreensão entre organizações de defesa dos direitos indígenas. Para o Conselho Indigenista Missionário, seria formação de milícia particular.

O presidente da associação, Francisco Maia, nega. De acordo com suas informações, o objetivo é proteger as propriedades, ameaçadas por invasões. "A Constituição garante o direito à proteção da propriedade", diz.




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