Greve acaba e governador sanciona aumento
Na maioria dos distritos da capital paulista, atendimento foi normalizado
Os policiais civis de São Paulo suspenderam ontem uma greve, que já durava dois meses, após a decisão do ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), que cassou sua liminar anterior que concedia o direito de paralisação à categoria. Até ocorrências de crimes que podem ser feitas pela internet foram registradas nesta quinta-feira. Os adesivos referentes à paralisação, porém, continuavam nas paredes dos distritos.
Também ontem, o governador José Serra sancionou os quatro projetos de lei complementares que beneficiam policiais civis, militares e técnico-científicos, além de aposentados e pensionistas. Dessa forma, os salários serão reajustados em 6,5% este mês. Também houve a extinção da quinta classe e redistribuição dos cargos; diminuição no tempo mínimo de contribuição de aposentadoria de 35 para 30 anos; e acréscimo de 50% da média do Adicional de Local de Exercício (ALE) recebido nos últimos cinco anos para aposentados e pensionistas.
Na capital paulista, o atendimento parecia ter voltado ao normal. "Sei que poderia ter feito a ocorrência de desaparecimento de pessoa pela internet, mas preferi vir à delegacia", disse a advogada Cristiane Zanetti, de 30 anos, que registrou BO no 23º DP (Perdizes). Segundo ela, o atendimento foi rápido. Diferentemente do que se via no 1º DP (Sé), onde a comerciante Malu Mohamed Schneider Mista, de 39, tentava registrar um furto desde 26 de setembro. Ela tentou fazer pela internet, mas o sistema travou. "Já vim 15 vezes ao DP. Na segunda-feira, fiquei 16 horas na delegacia e não fui atendida. Se terminou a greve, os policiais não estão sabendo."
As entidades de classe recomendaram o retorno às atividades. "Temos de cumprir a decisão judicial, mesmo que não concordemos", diz Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp). Hoje à tarde, os advogados da Adpesp decidem se entrarão com recurso. Ele não acredita que a suspensão da greve enfraqueça as reivindicações.
Na região de Ribeirão Preto, a paralisação deve terminar após uma reunião hoje à tarde. "Acredito que a categoria vai optar pelo encerramento da greve", diz a presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto (Sinpol), Maria Alzira da Silva Corrêa. Na Baixada Santista, as delegacias voltaram a funcionar normalmente, segundo o presidente do sindicato na região (Sinpolsan), Décio Couto Clemente. Mas ele criticou o fim da paralisação e afirmou que as lideranças nomeadas para a negociação foram inábeis. "Na mesma hora que fizeram a proposta, já aceitaram. Eles não ouviram as bases. Queríamos 15% e terminamos com 6,5%."
Na região de Campinas, policiais também voltaram ao trabalho ontem. O sindicato da região estima que o número de BOs tenha caído pela metade. Mas no Vale do Paraíba há disposição em manter a greve. Prova disso é que os policiais preparam uma "cremação" simbólica do governador José Serra (PSDB) para a próxima segunda-feira, de acordo com Jéferson Fernando Cabral, dirigente sindical na região de Taubaté.
BRÁS HENRIQUE, MÔNICA CARDOSO, REJANE LIMA, SIMONE
MENOCCHI e TATIANA FÁVARO
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