Grupo agride gays no Metrô Consolação

Três vítimas dizem que foram xingadas antes de levar socos e pontapés de dez homens na plataforma da Linha 2-Verde, na quarta-feira à noite

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2011 | 03h05

Três rapazes homossexuais foram agredidos na noite de anteontem dentro da Estação Consolação do Metrô, na Avenida Paulista. Eles dizem ter sido abordados por um grupo maior - com cerca de dez jovens -, xingados e atacados. Os agressores trajavam camisetas de clube de futebol, bermuda e chinelo. Mas, para eles, a motivação foi homofóbica.

"Assim que passamos pela catraca e descemos a escada rolante começaram a nos xingar de 'bichinha' e a dizer que gay tem de morrer e apanhar na cara", disse o representante comercial Diego Soares, de 24 anos.

Soares, o namorado Vinícius Matias, de 20, o analista de sistemas Cleiton Palácio, de 26, e outros dois amigos voltavam para casa e pretendiam fazer a transferência para a Linha 4 - Amarela. Mas foram surpreendidos pelo ataque na plataforma da estação. Só dois conseguiram correr. Soares, Matias e Palácio ficaram e revidaram os socos e chutes do grupo agressor.

Eles tiveram ferimentos e escoriações, principalmente no rosto e nas costas. Soares foi derrubado e bateu com a cabeça no vagão de um trem que estava parado na estação, no lado que segue para Vila Madalena. "A briga foi feia", disse Palácio, que ficou com o olho machucado. Vinícius chegou a ir para o hospital com luxação no braço.

No momento da briga, havia três seguranças na estação - e eles estavam no mezanino. Os agentes do Metrô chegaram dez minutos depois do confronto. Os garotos seguraram a porta para que o trem não partisse e apontaram para os seguranças dois agressores escondidos em um vagão. Todos foram identificados, mas depois liberados. As vítimas dizem que foram coagidas a não registrar boletim de ocorrência naquela noite, porque "não daria em nada". O Metrô diz que orientou a registrar na delegacia da Barra Funda, o que eles não fizeram por opção pessoal.

As vítimas prestaram depoimento ontem na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). A polícia pediu as imagens das câmeras de segurança do Metrô.

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