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Grupo critica submissão de líderes e racha MST

Carta subscrita por 51 antigos militantes diz que movimento deixou de lutar pelo socialismo e perdeu combatividade com chegada do PT ao poder

26 de novembro de 2011 | 3h 03
Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

Um grupo de 51 militantes e apoiadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), a maioria veteranos na luta pela reforma agrária, divulgou carta na qual anuncia o desligamento da organização por discordar de seu projeto político atual. Na avaliação do grupo, o MST, além de burocratizado e institucionalizado, está integralmente subordinado às políticas do governo federal.

"Vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do governo", diz a carta. Na avaliação dos signatários, trata-se de uma "esquerda pró-capital" e destinada a "movimentar a massa dentro dos limites da ordem e para ampliar projetos assistencialistas".

Trata-se de uma crítica radicalmente de esquerda. O texto afirma que, além de perder a combatividade a partir de 2003, com a chegada do PT ao poder, o MST deixou de lutar pelo socialismo.

A direção nacional do MST não quis comentar publicamente o documento. Preferiu tratar o episódio como parte dos debates e das divergências políticas que sempre fizeram parte da história da organização.

Nos bastidores, porém, alguns dirigentes acusaram o golpe. Lamentou-se sobretudo a deserção de militantes históricos do Rio Grande do Sul. Do total de assinaturas, 28 são daquele Estado, onde o movimento foi idealizado, na década de 1980, e no qual surgiu seu líder mais conhecido, João Pedro Stédile.

A decisão do MST de não comentar a carta também pode estar vinculada ao fato de atravessar um dos piores momentos de sua história do ponto de vista de mobilizações. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos chegou ao nível mais baixo dos últimos anos.

Do total de 300 mil acampados em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, restam 60 mil - segundo informações do próprio movimento. No ano passado falava-se em 110 mil.

A dificuldade de mobilizar pessoas para pressionar o governo estaria ligada a diversos fatores. Um deles seria o aumento do nível de emprego, especialmente na faixa de um a dois salários mínimos, de onde provinha grande parte dos acampados. Outro fator que tem sido apontado com frequência é o Bolsa Família, que deu maior estabilidade econômica às famílias de baixa renda.

Os dirigentes do MST também apontam como causa da baixa mobilização o descrédito em relação ao governo. Ao contrário de Lula, que assumiu falando em reforma agrária massiva, a presidente Dilma Rousseff evita o assunto desde a campanha.

Na avaliação do grupo que rompeu, a baixa mobilização também estaria ligada ao alinhado político do MST com o governo: "Isso não ocorre sem consequências. Operam-se mudanças decisivas nas formas organizativas e no plano de lutas".




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