Grupo faz campanha na internet contra 'voto do cajado'

Evangélicos contrários ao "mercado do voto religioso" programaram um ato na sexta-feira, na Igreja Cristã da Família, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O protesto contra o "voto do cajado", como apelidaram esse tipo de prática, em alusão ao antigo voto de cabresto, está sendo comandado pela Rede Fale, formada por evangélicos e com atuação nas redes sociais.

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2012 | 03h06

O movimento contra o "voto do cajado" teve início no Rio, a fim de denunciar "o novo coronelismo de grandes pastores evangélicos", principalmente os que atuam em mídia eletrônica, informou Morgana Foostel, secretária executiva da Rede Fale, uma psicóloga capixaba de 25 anos, mestranda em Ciência da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e fiel da Igreja Batista. Depois de São Paulo, serão feitos atos semelhantes em Belo Horizonte e em Fortaleza.

"O objetivo de nossa concentração no dia 21 é ampliar o debate sobre o 'voto do cajado', a necessidade de conscientizar o eleitor cristão a usar o voto como arma de libertação e a ilegalidade da campanha nos espaços públicos, como templos e igrejas", disse Morgana. A campanha contra o "voto de cabresto" dentro de igrejas teve início em 22 de agosto. De acordo com Morgana, recebeu adesão de milhares de pessoas, que passaram a trocar mensagens pelas redes sociais.

Vídeo. O site da campanha (redefale.blogspot.com.br) recebe propostas de combate ao "voto do cajado". Um vídeo que imita a propaganda política na TV lembra que a principal motivação do movimento foi o envolvimento de pastores do Rio com milícias no período eleitoral.

A gravação afirma que "alguns pastores têm usado seus cargos de liderança nas igrejas para conduzir os votos dos evangélicos, aproveitando-se da fé sincera das pessoas, como em um curral eleitoral". "Que cada cristão evangélico investigue o histórico e os ideais dos candidatos antes de fazer sua escolha, sem se sujeitar exclusivamente à opinião dos seus líderes e pastores."

Os evangélicos contrários ao "voto do cajado" recusam-se a pregar voto em algum candidato. Morgana disse que eles se relacionam com os partidos a partir da identidade programática de cada um. "Os interesses que defendemos são a promoção da vida, a igualdade, a garantia dos direitos de cada um." Ela lembrou que as comunidades evangélicas cresceram muito nas periferias e, por isso, ganharam relevância nas campanhas.

O bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, d. Maurício de Andrade, condena o que chamou de "troca de favores pelo voto", em que se busca "o interesse individual, e não o coletivo". "O voto é a maior arma que o cidadão tem para transformar a sociedade. É preciso pautá-lo pela ética do Evangelho, que prega a transformação e a liberdade", afirmou.

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