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Hamas e Fatah firmam pacto de reconciliação

Facções palestinas prometem criar governo interino e realizar eleições gerais este ano

07 de fevereiro de 2012 | 3h 03
DOHA - O Estado de S.Paulo

Os líderes das duas principais facções palestinas, o partido laico Fatah e o movimento islâmico Hamas, assinaram ontem um acordo para formar um governo interino unificado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com o objetivo de organizar eleições parlamentares e presidenciais nas regiões este ano. O anúncio da aproximação complica as negociações de paz entre palestinos e israelenses.

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, do Fatah, e o número 1 do Hamas, Khaled Meshal, firmaram o pacto - que ainda não tem data para ser posto em prática - em Doha, Catar. O acordo mediado pelo governo catariano determina que Abbas, cujo partido controla partes da Cisjordânia, assuma a presidência também de Gaza, de onde sua facção foi expulsa pelos radicais islâmicos, em 2007.

A "Declaração de Doha" determina que o presidente palestino aglutine ainda o cargo de primeiro-ministro de ambos territórios palestinos. O restante do governo deverá ser composto por tecnocratas. A intenção da AP era realizar eleições gerais em maio, mas a data foi postergada, segundo fontes ligadas a Abbas.

Enquanto o Fatah defende que um acordo de paz para garantir uma Palestina independente deve ser negociado com os israelenses, o Hamas já jurou publicamente que destruirá Israel. O movimento islâmico, porém, afirma estar disposto a estabelecer um pacto de cessar-fogo com os inimigos cuja existência como Estado não reconhece.

Em maio, o Fatah e o Hamas anunciaram um pacto de reconciliação que, apesar dos votos de compromisso de ambos lados, teve pouco resultados. O movimento islâmico opõe-se à permanência no governo da AP do premiê Salam Fayyad, que conta com amplo apoio internacional e, segundo o pacto firmado ontem, deixará o cargo.

Ao aproximar-se do Hamas, Abbas demonstra considerar que a busca da unidade política é mais importante para a independência palestina do que as negociações de paz com Israel, que, suspensas desde setembro de 2010, sofreram uma malsucedida tentativa de retomada em janeiro, na Jordânia. Analistas afirmam que a aproximação entre as facções põe fim ao recente esforço de entendimento.

Reações. "É preciso escolher entre paz com o Hamas ou paz com Israel. Não se pode ter ambas", disse o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

Com a manobra, Abbas arrisca perder parte do apoio financeiro internacional - de aproximadamente US$ 1 bilhão ao ano - que sustenta a AP, já que, assim como Israel, os EUA e outros países ocidentais também consideram o Hamas terrorista.

Washington não comentou imediatamente o acordo dos palestinos. Já a União Europeia deu apoio à medida, afirmando que a reconciliação palestina e as eleições na região são importantes passos para a paz.

Segundo fontes palestinas que acompanharam a negociação em Doha, o governo do Catar disse estar disposto a contribuir com até US$ 10 bilhões para reduzir as consequências de um eventual corte na ajuda internacional. / AP e REUTERS