Herdeiros da ETA se consolidam como principal força do País Basco
Deputados separatistas integrarão o Parlamento da Espanha, com seis deputados
MADRI - Políticos herdeiros das ideias da organização separatista basca ETA ganharam as eleições no País Basco, se consolidaram como a principal força local e vão enviar pela primeira vez deputados ao Parlamento em Madri. Candidatos do partido Amaiur - legenda originária do Batasuna, braço político da ETA, que prega a independência do País Basco - foram os principais vencedores na região.
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De uma só vez, o grupo passou da ilegalidade para conseguir eleger para o Parlamento seis deputados e tornar-se a quinta força no Legislativo espanhol.
Ontem, a Espanha teve sua primeira eleição em 36 anos de democracia sem a violência da ETA, que há um mês disse renunciar à luta armada definitivamente. O País Basco registrou a maior participação popular em todo o país na votação, uma repercussão direta da normalização da relação entre os diferentes grupos políticos. A região foi ainda o único lugar da Espanha que registrou uma elevação na taxa de participação nas eleições, justamente nas cidades onde o apoio aos herdeiros do grupo separatista é maior.
"Hoje, no País Basco, temos a grande festa da democracia. É a primeira vez que fazemos eleições em absoluta liberdade e precisamos comemorar", afirmou o governador socialista da região, Patxi López.
"A voz do povo basco foi dada e terá de ser respeitada agora", afirmou o partido Amaiur, em uma insinuação de que Madri terá de lidar com a questão da independência da região.
O partido vencedor debateu internamento o que faria se vencesse a eleição, já que tradicionalmente se recusa a reconhecer o Parlamento em Madri. Mas, no processo de troca das armas pelas urnas, a opção foi a de passar a participar do processo político, como os demais partidos. "Isso vai ter um efeito bumerangue e vai fortalecer nossa causa (a independência do País Basco)", disse um dos líderes do grupo, José Izagirre, prefeito de San Sebastián.
Em 2008, a situação foi radicalmente oposta. Dias antes da eleição, um ex-vereador socialista foi assassinado pela ETA. Comícios ilegais foram realizados, 10 militantes foram presos e outros de 80, processados. Ao votar, políticos foram acusados de "assassinos e fascistas", enquanto urnas foram destruídas e pneus incendiados formaram barricadas nas estradas. / J.C.
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