IEB guarda joias do modernismo
Na Cidade Universitária, instituto tem documentos, livros e obras do movimento artístico
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Passados 90 anos, não é apenas o Teatro Municipal que ficou impregnado com os rastros da Semana de 1922. Longe do centro, na cidade universitária, o Instituto de Estudos Brasileiros impõe-se como um memorial dos modernistas e de seu legado.
Documentos, livros, quadros, manuscritos e partituras dão conta da trajetória de nomes como Mario de Andrade, Anita Malfatti, Camargo Guarnieri, Guilherme de Almeida. Mas também de representantes da geração seguinte, aquela que sedimentou os princípios da arte moderna no País, como Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.
Criado em 1962, por Sergio Buarque de Holanda, o instituto possui uma série de fundos notáveis. Dentre eles, talvez o mais impressionante seja a coleção de Artes Visuais Mario de Andrade, formada a partir da aquisição, em 1968, do acervo deixado pelo escritor.
São mais de 1.200 peças, aí incluídas quase 700 obras de arte. Colecionador contumaz, o autor de Macunaíma começou a adquirir criações de artistas antes de sua adesão ao ideário moderno. Mas foi impactado pela primeira individual de Anita Malfatti que ele passaria a acolher apenas as criações da nascente corrente estética.
Com o dinheiro que pediu emprestado ao irmão, comprou a escultura de um quase desconhecido Victor Brecheret. Depois dela, viriam outras: telas de Di Cavalcanti, da própria Anita Malfatti, de Vicente do Rego Monteiro. Muitas dessas peças, aliás, integraram a exposição da Semana de Arte de 1922. Não faltam também exemplares de Tarsila do Amaral, a artista que não participou da Semana, mas criou as imagens mais emblemáticas da primeira geração modernista.
Além da coleção de arte, o IEB também guarda a biblioteca e o arquivo de Mario de Andrade. São quase 18 mil livros. Obras de antropologia, música, folclore, com destaque para preciosas primeiras edições de todos os escritores brasileiros importantes do período. Além das dedicatórias, esses exemplares estão repletos de anotações do próprio Mario, que costumava marcar os livros com suas impressões. As estreitas relações do autor com os artistas de seu tempo e, por conseguinte, uma parcela significativa da história do modernismo no Brasil, também despontam em cerca de 30 mil cartas, manuscritos e documentos guardados pela instituição.
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