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Igreja do Rio quer indenização por filme

Arquidiocese diz que Cristo Redentor foi usado sem autorização em '2012'

25 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Talita Figueiredo, RIO - O Estadao de S.Paulo

A Arquidiocese do Rio quer indenização da Columbia Pictures pelo que considera uso indevido da imagem do Cristo Redentor no filme 2012, do cineasta alemão Roland Emmerich.

No longa metragem, a imagem é destruída junto com outras construções famosas, em uma catástrofe que seria o fim do mundo. O departamento jurídico da Arquidiocese notificou a Columbia e aguarda uma negociação para que não haja necessidade de ação judicial.

De acordo com a Arquidiocese, as conversas com a produtora do filme, que acontecem desde dezembro, já estão adiantadas. É possível que até o fim do mês de março haja decisão.

Além da indenização, a Arquidiocese espera uma retratação pública. O uso da imagem do Cristo Redentor não é cobrado, mas a igreja pode vetar que ela apareça em filmes ou programas, como já fez algumas vezes no carnaval carioca.

O Estado não conseguiu contato com os responsáveis pela Columbia, em Los Angeles, onde o caso está sendo tratado.

PROIBIÇÕES ANTIGAS

O caso mais célebre do uso da imagem do Cristo Redentor foi em 1989 no desfile da Beija-Flor no enredo Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia, de Joãosinho Trinta. Na avenida, o Cristo Redentor foi ocultado com sacos preto e um texto "mesmo proibido, olhai por nós". Em 2003, a Beija-Flor, às vésperas do carnaval, mudou a coreografia que acontecia em um carro - numa disputa entre Jesus e Satanás, Cristo mataria uma criança, mas na apresentação ela foi morta pelo diabo e ressuscitada por Cristo. No ano anterior, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi coberta por causa de protesto da Arquidiocese.

No mês passado, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio declarou inconstitucional a lei de 2007 que proibiu escolas de samba de usarem imagens sacras nos desfiles. O regulamento da Liga das Escolas de Samba não permite que imagens sacras sejam "vilipendiadas".