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Imposto menor deu ''um Dia das Mães e meio'' ao varejo

Grandes revendas de eletrodomésticos ampliaram em até 35% as vendas da linha branca entre maio e outubro

27 de outubro de 2009 | 0h 00
Márcia De Chiara - O Estadao de S.Paulo

O varejo de eletrodomésticos "ganhou" um crescimento de vendas equivalente a uma vez e meia um Dia das Mães, a melhor data do comércio depois do Natal, por causa da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Grandes revendas de eletrodomésticos ampliaram, em média, em até 35% as quantidades vendidas de geladeiras, fogões e máquinas de lavar entre maio e outubro deste ano na comparação com o mesmo período de 2008.

No início da isenção, que começou em abril, pesquisas apontaram que as redes de lojas especializadas repassaram, em média, apenas a metade do benefício para os preços ao consumidor. Isso foi possível porque a dispersão dos preços dos eletrodomésticos antes do corte do IPI era muito grande, chegava a 70%. Essa grande diferença de preço de um produto em lojas diferentes impediu o maior controle do repasse.

Mas, com o acirramento da concorrência e a grande agressividade dos hipermercados no segmento de eletrodomésticos, os preços de mercado foram forçados para baixo. Com isso, os varejistas especializados tiveram de repassar integralmente o benefício sob o risco de perder o cliente para o concorrente.

No Carrefour, por exemplo, as vendas de eletrodomésticos da linha branca cresceram, em média, 35% em número de unidades e 30% em valor entre maio e outubro deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Segundo o diretor de eletroeletrônicos da companhia, Fábio Régis, o grande destaque foi para as máquinas de lavar. Em seis meses, as quantidades vendidas de lavadoras aumentaram 45%.

O dado é confirmado pelo supervisor geral das Lojas Cem, José Domingos Alves. "As nossas vendas de lavadoras aumentaram entre 38% e 40% em número de unidades depois do corte do IPI", diz o executivo. A grande procura por lavadoras, que chegou a provocar a falta de produto no mercado em junho, ocorreu porque menos da metade dos domicílios (45%) tem o eletrodoméstico.

"No caso das lavadoras de roupas, houve dois movimentos: a compra da primeira lavadora e a migração do tanquinho para a máquina de lavar automática", afirma o diretor do Carrefour. Em fogões e refrigeradores, foi diferente. Como esses eletrodomésticos estão presentes na maioria dos lares brasileiros, o consumidor aproveitou o corte de imposto para trocar o equipamento antigo por outro mais moderno.

"Muitos consumidores viram nessa medida de redução de imposto a oportunidade de adquirir itens muitas vezes identificados como aspiracionais", diz Marcelo Cavaliere Müller, gerente de linha branca e portáteis do Grupo Pão de Açúcar. Só em setembro, as vendas de itens da linha branca cresceram 35%, em média, em relação ao mesmo mês de 2008.

Apesar de o comércio apostar na prorrogação do corte do IPI sobre a linha branca até dezembro, as grandes redes admitem que fizeram, nos últimos 30 dias, estoques preventivos para manter as promoções desses itens nos próximos meses, mesmo que o benefício do imposto menor seja suspenso.