Indefinição do Brasil preocupa cientistas
"Para mim é um sonho o Brasil fazer parte do ESO. A comunidade astronômica brasileira é muito forte e vamos caminhar juntos", diz o diretor de Ciência do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile, Michael West. "O acesso aos telescópios é importante, mas mais importante são as colaborações", completa o pesquisador, em português fluente, aprendido ao longo de anos de amizade e parceria com cientistas brasileiros.
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Cobiçada pela maior parte dos astrônomos nacionais, a entrada do Brasil na lista de países membros do ESO deveria ter ocorrido no ano passado.
Um acordo foi assinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia no fim de 2010, com o compromisso de ser enviado para ratificação no Congresso até o fim de 2011, o que não aconteceu. Pressionado, o ministério emitiu nota na semana passada dizendo que o projeto precisou ser reavaliado por questões orçamentárias.
No comunicado, o governo afirmou que o ingresso no programa representa "um volume elevado de investimentos para o orçamento e as amplas demandas de Ciência, Tecnologia e Inovação" e, após ser analisado novamente, "o projeto encontra em fase final de conclusão para ser enviado ao Congresso Nacional".
O custo de participação do Brasil pelos primeiros dez anos seria de R$ 565 milhões, aproximadamente. "Pode ser muito dinheiro ou não, dependendo de como você olha para isso", diz West. Segundo ele, o valor deve ser visto não como um gasto, mas como um investimento no desenvolvimento científico e tecnológico do País.
"Estamos decidindo o futuro da astronomia do Brasil pelas próximas décadas, talvez pelo próximo século", defende o pesquisador Marcos Diaz, professor do Instituto de Astronomia (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). "Ou pegamos o bonde agora, ou outro país vai pegar no nosso lugar."
Com a adesão, astrônomos brasileiros passariam a concorrer em pé de igualdade com europeus para uso dos telescópios atuais do ESO - considerados os melhores do mundo em várias áreas da astronomia -, assim como do futuro European-Extremely Large Telescope (E-ELT), projetado para ser o maior telescópio do mundo.
Além dos contratos de engenharia civil e produção tecnológica que a indústria brasileira poderia ganhar caso estivesse dentro do projeto.
"Seria inimaginável o Brasil perder essa oportunidade", diz Pierre Kaufmann, do Centro de Rádio-Astronomia e Astrofísica Mackenzie. O custo de adesão, segundo ele, é "irrisório" comparado ao que o Brasil ganharia.
"O País jamais teria condições, técnicas ou financeiras, de oferecer à comunidade científica instrumentação desta natureza, na fronteira da tecnologia. Nem agora nem nos próximos 50 anos", afirma.
O diretor-geral do ESO, Tim de Zeeuw, alerta que, caso o Brasil não ratifique o acordo até meados deste ano, o convite de adesão poderá ser cancelado.
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