Independência do Mó! chega ao n.º 10
Edição comemorativa do projeto Movimentação Musical tem lançamentos dos CDs de Fabio Barros e Manu Maltez
A multifacetada cena musical paulistana pulsa intensa no circuito independente, como há muito não se via. O Mó! - Movimentação Musical é um desses núcleos criativos espontâneos que se destacam nessa cena, abrigando projetos arrojados de artistas como Fabio Barros e Manu Maltez. Seus respectivos segundos CDs serão lançados no domingo, quando dividem o palco do Auditório Ibirapuera com os grupos Projeto B e Axial, dentro da 10ª edição da mostra do Mó!
A cada edição (são três por ano desde 2006), os quatro recebem convidados. "Desta vez como rolou uma noite só, a gente se concentrou nos lançamentos nos grupos que organizam a mostra", diz Barros. "É sempre pra gerar uma troca. Naturalmente vão surgindo afinidades." No início, era um grupo de amigos que se juntaram com o objetivo de dar mais visibilidade aos trabalhos individuais em conjunto, no melhor estilo a união faz a força.
Hoje é quase uma cooperativa, em que conta muito o trabalho em forma de colaborações mútuas. Na base da camaradagem, Maltez gravou no estúdio de Barros o CD Esse Cavalo Morto no Jardim, que lança agora, e contou com ele no vocal de uma faixa. A mixagem ficou nas mãos de Yvo Ursini, guitarrista do Projeto B, que, como o trompetista da banda, Amílcar Rodrigues, além de Maltez, participa do CD de Barros.
Expoentes da espécie dos sem-estilo, eles não se prendem a gêneros específicos. E, embora tenham como ponto de partida a canção brasileira, enveredam por caminhos inusitados. "Para mim o arranjo já vem junto na hora de compor", diz Barros, que venceu o festival da 2ª Semana da Canção em São Luiz do Paraitinga, em 2008, justamente por apresentar essas características na composição. Neste ano, o presidente do júri Chico César confirmou a tendência: o ato de fazer canções hoje não se limita a criar uma bela melodia e uma letra bem escrita. Barros faz tudo isso e mais alguma coisa em seu segundo CD Enquanto Eu Caminhava, extraindo o máximo do mínimo, uma ou mais surpresas a cada uma das nove faixas.
Desenhista, baixista e compositor, Maltez traz para sua música influências das artes visuais, do jazz e das ousadias sonoras dos inclassificáveis Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, entre outros. "Não sou desses músicos que tocam o violão e a música vai aparecer cristalinamente. No meu caso, penso numa certa orquestração", explica Maltez.
O resultado que ele apresenta é mais um reforço na tendência de revirar as formas da canção "como a concebemos" até hoje. "De certa forma isso sempre existiu, mas a gente está mesmo num momento em que as coisas estão se abrindo, uma avançando na área da outra."
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