Indicadores divergentes no setor automobilístico
O setor automobilístico apresentou, em agosto, dados curiosos, pois a produção e as vendas continuaram crescendo, ao mesmo tempo que os estoques aumentavam. Como é alto o custo de manter estoques elevados, cabe indagar se as montadoras e as revendedoras foram excessivamente otimistas em relação à demanda.
Uma demonstração de confiança do setor foi o aumento de 0,6%, em agosto, das contratações de pessoal.
A produção do mês passado, de 325,3 mil veículos, superou em 5,9% a de julho e em 5,5% a de agosto de 2010, ajudada pela elevação das exportações, que cresceram 22,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de 44.878 unidades, atingindo US$ 1,395 bilhão.
As vendas no mercado interno foram de 327,4 mil unidades, 6,9% mais do que em julho e 4,7% acima de agosto do ano passado - resultado que se deve, em parte, ao aumento da participação dos veículos importados, de 18,8%, no ano passado, para 22,4%, nos primeiros oito meses deste ano.
O mercado de veículos tem sido favorável ao consumidor, pois algumas linhas têm preços estáveis desde o ano passado, o que significa uma diminuição de margem das montadoras. Nos casos de saída de linha ou alteração de modelo, descontos expressivos são concedidos aos compradores, permitindo concorrer com os importados.
O ritmo de atividade das montadoras estabelecidas no País também é importante para os funcionários das empresas, pois estão em discussão os acordos salariais. Na General Motors, os metalúrgicos da fábrica de São José dos Campos paralisaram as atividades na terça-feira, pleiteando reajustes superiores aos 9,2% oferecidos pela companhia. A Ford dará férias coletivas em sua unidade da Bahia, "a fim de ajustar os estoques à demanda do mercado", segundo nota da montadora. Também a Volks e a Fiat anunciaram férias coletivas.
Os estoques de veículos corresponderam, em agosto, a 37 dias de produção, ante 36 dias, em julho. Esses números não devem ser comparados com os de 2008, quando chegaram a 56 dias de produção, mas são bem superiores aos usuais, de 25 dias.
Entre 2002 e 2010, o setor automobilístico dobrou a produção, de 1,63 milhão para 3,38 milhões de autoveículos montados, incluindo caminhões e ônibus, período em que o crescimento foi ininterrupto. Neste ano, a associação das montadoras (Anfavea) prevê crescimento mais modesto, da ordem de 5% nas vendas e de 1,2% na produção, a partir de uma base elevada de comparação.
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