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Índice mostra avanço do ensino em São Paulo, mas média não chega a 4

Apesar do aumento de 38% de um ano para outro, nota do ensino médio fica em 1,95, na escala de 0 a 10

19 de março de 2009 | 0h 00
Renata Cafardo, Sergio Pompeu e Fabio Mazzitelli - O Estadao de S.Paulo

O ensino fundamental da rede estadual de São Paulo avançou pouco no último ano, segundo dados divulgados ontem pelo governo do Estado. O Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) dos alunos de 1ª a 8ª série aumentou menos de 3% entre 2007 e 2008 e sequer chegou a nota 4, numa escala de 0 a 10. O cálculo do indicador leva em conta o desempenho dos estudantes numa prova feita pelo governo, o Saresp, e a quantidade de alunos na série correta para a idade.

Por outro lado, o ensino médio (antigo colegial) aumentou seu Idesp de 1,41 para 1,95, crescimento de quase 40% de um ano para outro. Segundo especialistas, como as escolas desse nível já tinham o pior desempenho havia mais espaço para melhora.

Há um Idesp para cada ciclo de ensino e não é possível ter um índice geral do Estado. No ciclo de 1ª a 4ª série, o indicador subiu de 3,23 para 3,25. No de 5ª a 8ª foi de 2,54 para 2,6.

O Idesp foi divulgado pela primeira vez no ano passado, quando a secretaria mostrou o índice de 2007 e traçou metas para cada escola que deveriam ser alcançadas em 2008. Dependendo da meta a que cada escola chegou, o governo vai distribuir bônus salariais para professores e funcionários (mais informações na pág. H3).

Apesar de o índice ter aumentado pouco e ser ainda baixo, a maioria das cerca de 5 mil escolas (71,4%) chegou à meta esperada em pelo menos um dos ciclos. O melhor resultado foi também no ensino médio, em que 84,4% das escolas alcançaram ou superaram a meta. "Há uma melhora, mas o aumento (em pontos no Idesp) é pequeno porque não é preciso crescer muito para chegar à meta", explica o professor da Universidade Federal de Minas Gerais, José Francisco Soares, que participou da elaboração do índice. Há escolas em que a meta era de apenas 0,2 ponto a mais que a nota do ano anterior.

Além disso, diz o especialista, o Idesp foi pensado considerando quatro níveis de aprendizagem dos alunos - abaixo do básico, básico, adequado e avançado. "A pontuação só aumentaria bastante se muitos alunos saíssem do pior nível e fossem para o avançado e isso é impossível de acontecer em pouco tempo."

O governo não divulgou ontem o desempenho dos alunos em cada nível nem os resultados de português, matemática e ciências, disciplinas cobradas no Saresp. Os dados foram usados para a composição do Idesp, mas a secretaria informou que só serão apresentados em abril.

O resultado geral e principalmente do ensino médio foi comemorado pela secretária do Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Segundo ela, uma das razões do avanço foram programas de revisão de conteúdo em horários extraclasse para adolescentes. "Estamos diminuindo o número de alunos no ensino médio noturno também. É um bom sinal, pois o estudante não está trabalhando", diz ela. Hoje, cerca de 45% dos alunos do médio estudam à noite.

Para a educadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ângela Soligo, o ensino médio melhorou porque o Estado criou um material didático, com apostilas para professor e aluno sobre o conteúdo a ser aprendido, o que "engessa" o ensino. "O material tem tópicos detalhados, inclui questões que o professor deve fazer, as possíveis respostas do aluno e qual deve ser o passo seguinte. O aluno vai sendo preparado para o Saresp. É como se faz para preparar para o vestibular", critica.

O mesmo material é elogiado pelo presidente do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves. "Isso dá organicidade ao ensino." Ele explica que é professor de universidade e já na primeira aula mostra aos alunos o que será o eixo central do curso. "Isso é sinal de respeito ao aluno, que, do contrário, sente-se perdido."

Para a educadora da USP Silvia Colello, o pouco avanço do fundamental mostra que o nível chegou a uma situação-limite e as medidas tomadas não resolveram. "Para se obter resultados melhores nos anos iniciais, são necessárias mudanças mais aprofundadas, como na carreira e capacitação dos professores, redução da burocracia nas escolas e até na estrutura física das unidades."

Recentemente, o governo iniciou o programa Ler e Escrever na fase de alfabetização das crianças. Uma das ações foi a inclusão de estagiário nas classes de 1º ano para ajudar o professor. Para o especialista da USP Ocimar Munhoz, o Idesp mostra que o programa ainda não atingiu os resultados esperados. "É preciso olhar com atenção para o início do processo de escolarização porque os grandes desafios educacionais estão nessa etapa. "