Inflação de demanda já é ameaça, diz economista
As opiniões são bem dissonantes quanto ao tamanho da ameaça que a inflação pode representar para o futuro da economia brasileira. Há quem acredite que os índices apresentados até agora não representem risco. Faz parte desse grupo o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem não há uma inflação de demanda.
Mas outros defendem que o momento já é de atenção. É o caso do economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. O especialista acredita que existem de fato sinais de inflação de demanda e não apenas uma evolução dos preços relacionada a fatores sazonais.
"Olhando o IPCA de março de forma macro, o índice recuou, mas, desagregando o índice, constata-se que os itens de despesas pessoais, itens de serviços e alimentos, que são genuinamente de demanda, estão em ritmo mais alto em março, do que em fevereiro", comentou.
Alerta. Para o economista, o momento requer atenção. "Há um componente de demanda relevante. Isso não pode ser desprezado".
Divulgado na quinta-feira passada, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 0,52% em março, ante 0,78% em fevereiro. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,45% a 0,57%), levemente acima da mediana de 0,50%.
"De certa maneira, o ministro falou certo sobre o componente de choque e climático nos preços", disse Velho, referindo-se a declarações de Mantega. O ministro, no entanto, descartou que haja inflação de demanda.
"A inflação que tivemos até agora não é de demanda, na minha opinião, é de choque de oferta tecnicamente", resumiu Mantega.Mas Velho contesta esse diagnóstico e observa que há, sim, um fator de demanda. "E esse é um componente que, justamente, não sabemos qual é o potencial de repasse", disse o economista da Prosper.
"A economia continua crescendo em março acima de um ritmo de 5%. E os índices desagregados mostram evidentemente que está tendo inflação de demanda", disse.
Atenção redobrada
EDUARDO VELHO
Economista-chefe da Prosper Corretora
"Há um componente de demanda relevante. Isso não pode ser desprezado"
"A economia continua crescendo em março acima de um ritmo de 5%. E os índices desagregados mostram evidentemente que está tendo inflação de demanda"
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