Inteligência israelense mapeia região há um ano
A invasão de Gaza começou há cerca de um ano. Entre janeiro e março de 2008, estimam especialistas, teriam sido iniciados os procedimentos de inteligência de Israel para mapear o território - e definir a localização dos pontos estratégicos controlados pelo Hamas: depósitos de foguetes, túneis para entrada de armas, centros de comando da guerrilha, alvos destruídos pelo bombardeio pesado de aviões, helicópteros e canhões.
"É provável que esse primeiro movimento tenha sido limitado à coleta de informações", especula a analista Marie García, do Real Instituto Elcano de Estudos Estratégicos de Madri. A cientista acredita que um levantamento dessa envergadura tenha tido a participação das principais agências: Aman (militar), a Shabak (segurança interna), o Mossad (ação externa) e a NSCI (anexa ao Conselho Nacional de Segurança) empenhadas em montar um plano amplo, porém, centrado na neutralização do Hamas.
Coube à Diretoria de Inteligência da Força Aérea a abertura do trabalho. Aviões de sensoriamento remoto, dez deles, foram mantidos no ar ouvindo, gravando e classificando comunicações da Faixa de Gaza. Israel pôde fazer isso com grandes centrais aerotransportadas por Hércules C-130 capazes de rastrear sinais num raio estimado de 400 quilômetros e, a grande altitude, 700 quilômetros. Para o que se pretendia é um excesso: o maior eixo na área não passa de 100 quilômetros.
Em julho, um foguete Shavit lançou um satélite Ofek, espião eletrônico, capaz de observar e registrar imagens de objetos de 1 metro. O Ofek está em órbita a 300 quilômetros de distância da Terra. Os dados digitais levantados por aviões e satélite, foram comparados por agentes de campo, os Katsa, infiltrados no território palestino. Recrutados pelo Mossad, todos passaram pela Midrasha, a academia da agência, em Herzliya.
Nesse período, aprenderam a localizar, recrutar, cultivar informantes e, sobretudo, técnicas de comunicação sigilosa com sua rede pessoal. Um Katsa raramente carrega armas, mas é perito em tiro com pistolas calibre 22, letal, silenciosa e fácil de esconder.
Para processar o material levantado, a CNSI montou uma sala de situação com telas digitais. É desse centro que a ação israelense está sendo coordenada. O ataque em ondas progressivas, na opinião de fontes militares ouvidas pelo Estado, foi a forma de garantir que os objetivos prioritários fossem atingidos pelas armas de precisão.
As bombas foram guiadas por GPS, lançadas por caças F-16, e depois os abrigos subterrâneos protegidos por construções reforçadas, atingidos pelos tanques voadores, os helicópteros Apache. Nos últimos dias, novo personagem, o pequeno e ágil helicóptero Cobra, varreu tetos e pontos elevados com seu canhão elétrico de 20 mm.
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