Internet sem fio é irreversível
Insatisfeitos com os provedores de banda larga residencial e seduzidos pela promessa de conexão em qualquer lugar, os brasileiros abraçaram com ardor a internet móvel. Muitas vezes, a decisão foi seguida de frustração com a velocidade do serviço 3G e o suporte precário. Mas ninguém pensa em retornar ao cabo. "Liberdade é tudo", sintetiza a dentista e blogueira Bia Kunze (www.garotasemfio.com.br).
Inicialmente cliente da Claro, Bia se irritou com as instabilidades e migrou para a Tim. Há seis meses, comprou um minimodem e assina o plano de até 1 megabit por segundo (Mbps) e download ilimitado.
"O Tim Web é rápido e estável. Raras vezes fiquei sem sinal. A cobertura da Claro é melhor, mas a qualidade é pior", diz. Beatriz também usa a web móvel da Vivo, adquirida depois de testes animadores em seu iPhone 3G.
Revolta semelhante com a Claro motivou a estudante Priscilla Lopes a criar o blog Claro Que Não Funciona. Nele, ela escreveu suas decepções com o serviço e recebeu mais de 120 mensagens de gente que passou por algo parecido. "A Claro entrou em contato comigo e prometeu melhorar o serviço, mas não adiantou em nada."
Já o consultor Ricardo Kobashi e o blogueiro Rodrigo Toledo (www.rodrigostoledo.com) se dizem super satisfeitos com a Claro. Como a operadora foi a primeira a contar com banda larga em redes 3G, Toledo nota que "sabia que o início seria horroroso, porque a infra-estrutura estava sendo montada e a demanda era gigante" e assumiu os riscos. Kobashi afirma ter ficado uma única vez sem sinal e elogia o SMS automático - uma mensagem de texto com orientações sobre como fazer ligações e conectar à internet durante uma viagem ao exterior.
O advogado carioca Paulo Henrique Andrade, que assina o serviço da Oi, também está contente. Só lamenta a operadora ainda não oferecer o 3G na capital paulista.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as reclamações registradas no país não obedecem a padrões regionais ou por operadora. Mas a agência admite que paulistas estão mais satisfeitos do que os cariocas. E os números do Procon-SP confirmam: desde janeiro, foram registradas apenas 78 queixas. "Em todo o Brasil existem alternativas com bons sistemas. O usuário deve exercitar seu poder de escolha", diz Bruno Ramos, gerente de regulamentação de serviços móveis da Anatel. "Só a concorrência melhorará os preços e a qualidade do serviço."
Maurício Vargas, do site ReclameAqui (www.reclameaqui.com.br), revela que as queixas mais comuns são quanto à incapacidade de atingir a velocidade máxima informada nos contratos e no atendimento dos call centers. Em uma pesquisa respondida por 1.721 visitantes do site, a Claro é apontada como a segunda pior no atendimento por telefone. A Vivo aparece em quarto e é seguida pela Tim, em quinto. A primeira e a terceira colocações são ocupadas por empresas de telefonia fixa. "Mas a migração para a banda larga móvel é irreversível. Há problemas técnicos e culturais agora, assim como quando a internet discada foi substituída pela banda larga", diz Vargas.
Vivo, a Tim e a Claro declararam terem criado uma área especial em seus call centers para atender os usuários de smartphones e banda larga móvel. Já a Oi informou que "sempre realiza treinamento sobre os novos serviços da empresa".
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