Irã cogita de aceitar plano de enviar urânio à Rússia
O chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, deu ontem o primeiro sinal de que Teerã pode aceitar o acordo proposto na quarta-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, segundo o qual o Irã enviaria seu urânio para ser enriquecido na Rússia.
A estratégia - proposta pelos governos dos EUA, França e Rússia depois de três dias de negociações com a representação iraniana - tenta evitar que o regime dos aiatolás enriqueça seu próprio urânio numa porcentagem que permitiria a construção de uma bomba nuclear. Ao passar pela Rússia, o urânio iraniano seria enriquecido em um grau suficiente apenas para uso em fins medicinais antes de ser enviado de volta ao Irã.
"Para obter esse combustível, poderíamos gastar dinheiro como fizemos no passado (importando) ou podemos enviar ao exterior nosso urânio para mais processamento", afirmou. O chanceler disse ainda que a decisão final do país será anunciada "em poucos dias" e, mesmo enviando material radioativo para a Rússia, o país não abrirá mão de enriquecer seu próprio urânio.
Teerã mantém a comunidade internacional em suspense sobre sua resposta final para a proposta de acordo de Viena. O prazo inicial venceu na sexta-feira, quando representantes do presidente Mahmoud Ahmadinejad disseram que seu governo precisaria de ainda mais tempo para tomar uma decisão.
Os EUA calculam que o regime iraniano poderia desenvolver a capacidade de produzir uma arma nuclear dentro de até cinco anos.
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