Ismail Kadaré vence o Príncipe de Astúrias
Escritor albanês, exilado em Paris, vai receber ? 50 mil
O escritor albanês Ismail Kadaré, de 73 anos, foi escolhido ontem como vencedor do Prêmio Príncipe de Astúrias de Literatura 2009, divulgado na cidade espanhola de Oviedo, pela "beleza e pelo compromisso" de sua criação literária, além de sua participação em atividades favoráveis pela liberdade de expressão em seu país. Ele vai receber uma estatueta desenhada por Joan Miró, além de ? 50 mil.
"É um prêmio de grande valor, que alegraria qualquer escritor que o recebesse", declarou Kadaré por telefone à agência de notícias EFE, a partir de sua casa em Tirana. "Dedico o prêmio à literatura e língua albanesas, desconhecidas no mundo."
Concorriam com ele na fase final do prêmio o holandês Cees Nooteboom, o italiano Antonio Tabucchi, o britânico Ian McEwan e o checo Milan Kundera. No total, havia na disputa 31 candidatos de 25 países. A última premiada foi a canadense Margaret Atwood e, em edições passadas, a escolha recaiu para nomes como Mario Vargas Llosa, Carlos Fuentes, Günter Grass e Arthur Miller.
Kadaré vive exilado em Paris desde 1990. Curiosamente, sua saída da Albânia, onde nasceu em 1936, aconteceu depois da queda do ditador Enver Hodja, que ficou no poder entre 1945 e 1985, período em que censurou quatro livros do autor. A passagem de Hodja inspirou Kadaré, cuja ditadura ele passou parte da carreira denunciando - algumas vezes mais abertamente, em outras simbolicamente.
Na verdade, há opiniões divergentes se Kadaré foi um dissidente ou um conformista durante o período comunista da Albânia. Em diversas ocasiões, ele mesmo refutou a ideia de ter sido dissidente. Por outro lado, o fato de ter sido deputado durante o governo de Hodja, que também lhe concedeu a posição de ser o único escritor albanês autorizado pelo regime, causou polêmica. Sua literatura, no entanto, serve como importante defesa, pois algumas das suas obras (como O Palácio dos Sonhos) são profundamente antitotalitárias e ressaltam o valor da liberdade.
Ao deixar o país no momento em que a tirania já não mais dominava, Kadaré provocou uma comoção entre os albaneses a ponto de acelerar uma série de acontecimentos que culminariam com as primeiras eleições diretas no país, em 1992.
Sua obra é publicada no Brasil pela Companhia das Letras, que tem dez títulos no catálogo, com destaque para Abril Despedaçado (2001), que inspirou o filme de Walter Salles. O Prêmio Príncipe de Astúrias 2009 será entregue no fim de outubro pelo príncipe Felipe de Borbón, herdeiro da coroa espanhola, em Oviedo. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
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