Jovem que matou a ex alugou arma por R$ 200
Parentes dizem que recepcionista pediu ajuda e não foi ouvida
O motoboy Marcelo Travitzki Barbosa, de 29 anos, alugou por R$ 200 a arma e as balas com que matou a ex-namorada Marina Sanchez Garnero, de 23, na noite de quarta-feira, na academia em que ela trabalhava, na Lapa, zona oeste de São Paulo. O revólver calibre 38 de numeração raspada foi emprestado pelo operador de telemarketing Bruno Wittmann, de 24 anos, que também está preso.
Em depoimento à polícia, Marcelo disse que além de usar a arma do colega, dormiu no apartamento dele na noite do crime. Wittmann se negou a falar com os policiais e prestará depoimento apenas em juízo.
Os dois foram presos na tarde de anteontem, um dia após o crime. O motoboy foi pego enquanto ia comprar drogas no centro da capital e levou os policiais até o colega, que foi encontrado com o revólver e 34 balas. Marcelo contou que alugou a arma no dia do crime. À noite, voltou para devolver o revólver, mas não disse ao colega que tinha acabado de matar a ex.
Em depoimento que durou toda a madrugada, Marcelo disse que matou Marina por ciúme. Ele afirmou que a visitou um dia antes do crime para tentar reatar o namoro, terminado havia dois meses. No local, viu Marina com outro homem e teria perdido o controle. Ao tentar agredir o rapaz, acabou sendo jogado no chão e ameaçado por amigos da ex. Houve discussão e ele foi embora ao ver que um carro da PM chegava.
O motoboy responderá por homicídio duplamente qualificado - motivo torpe e sem chance de defesa. Wittmann foi indiciado por porte ilegal de arma, mas pode ser apontado como coautor. Os dois foram transferidos para o CDP de Osasco.
Marcelo demonstrou tranquilidade e não mostrou arrependimento em sua passagem pela carceragem do 91º DP (Ceasa) ontem. "Ele se comportou friamente", disse um funcionário.
"Ele estava transtornado e agiu por impulso, sob efeito de álcool e drogas", disse o advogado de defesa, Stefenson Cardoso de Almeida. Ele tenta transferir Marcelo para o 13º DP (Casa Verde), já que o rapaz é bacharel em Direito. "Eles discutiam, brigavam e depois estavam juntos. Quando ele estava detido, ela ia visitá-lo e escrevia cartas de amor assinando com o sobrenome dele."
Para o irmão Rodrigo, de 28 anos, ele se transformava em outra pessoa depois de usar drogas. "Quando eles brigavam, ele bebia, fumava crack e ficava agressivo", disse. Segundo ele, o casal morava no apartamento da mãe de Marina, que havia se mudado para o litoral. Com a separação, em novembro, Marcelo se mudou para o apartamento do irmão.
ENTERRO
O enterro de Marina foi marcado pela revolta dos familiares no Cemitério Memorial Parque Paulista, em Embu. "Ela pediu socorro e não foi ouvida. Poderia ter sido evitado. Ela registrou queixa de ameaça e representou contra ele. A família se sente indignada", disse o primo Luiz Neto. A Corregedoria da Polícia Civil vai apurar a atuação dos delegados antes do crime.
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