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Julio Cesar revela uso de proteção irregular

26 de junho de 2010 | 0h 00
Sílvio Barsetti - O Estado de S.Paulo

O colete lombar utilizado pelo goleiro Julio Cesar no jogo de ontem continha placas de metal, o que não é permitido pela Fifa. Além das imagens do material, notadas depois de um choque de Julio com Raul Meireles, durante o segundo tempo de Brasil x Portugal, o próprio goleiro, num ato falho, confirmou que usou a proteção inadequada.

"Tem um negócio de ferro ali, mas não vai escrever isso, por causa da Fifa, senão você vai me ferrar", disse ele a um repórter, já no final da área de entrevista. Na hora da confidência, Julio não percebeu que era observado pela reportagem do Estado.

No lance da dividida, Julio Cesar foi atendido pelo massagista Adenir Silva e, em seguida, pelo médico José Luiz Runco. O primeiro levantou a camisa do goleiro, a fim de saber exatamente o local da contusão. Naquele momento, o colete surgiu com algumas hastes para fora. Rapidamente, Runco puxou a camisa do goleiro para baixo.

Em entrevista, o médico negou que houvesse algo metálico na proteção. "É formada apenas por um tecido com velcro, tem a finalidade de dar uma sensação de estabilidade ao atleta", declarou. Ele não sabia da revelação feita por Julio pouco antes.

Sem novidade. De acordo com Runco, o goleiro costuma jogar na Inter de Milão com colete idêntico. No início da entrevista coletiva, o jogador até se irritou quando indagado insistentemente sobre o porquê da proteção nas costas. "Não sinto dores nenhuma. Vamos pular a pergunta, parar com isso e falar desse jogo com Portugal."

No amistoso do Brasil com Zimbábue, dia 2, Julio Cesar atuou por apenas 25 minutos e foi substituído por Gomes. Na oportunidade, o goleiro titular reclamou de uma lombalgia. Cinco dias depois, não enfrentou a Tanzânia. Sua presença na estreia no Mundial, dia 15, contra a Coreia do Norte, passou a ser uma incógnita.

Casa de ferreiro... Antes do jogo contra a Costa do Marfim, pela segunda rodada, no dia 20, a comissão técnica da seleção brasileira questionou a Fifa sobre uma proteção à base de metal que resguardava o braço direito recém-operado do atacante Didier Drogba. A entidade, no entanto, não tomou nenhuma posição formal. No caso de Julio Cesar, o máximo que pode ocorrer é uma advertência da Fifa ao atleta e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).


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