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Licença beneficia mães e crianças

Especialistas defendem extensão para 6 meses aprovada na Câmara

15 de agosto de 2008 | 0h 00
Giovana Girardi - O Estadao de S.Paulo

A licença-maternidade de seis meses, aprovada anteontem pela Câmara, pode trazer melhorias tanto para a saúde do bebê quanto para a da mãe. É isso que defende o médico Dioclécio Campos Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e um dos especialistas que propuseram a mudança. "Seis meses não é um número escolhido aleatoriamente, mas balizado por estudos que mostram a importância de manter a mulher perto do recém-nascido", diz Campos Jr.

Segundo ele, nos seis primeiros meses de vida, o cérebro da criança cresce rapidamente, a uma taxa de 2 g/dia - número que cai para 300 mg/dia depois disso, até o sexto ano. "Para promover o crescimento do cérebro e as conexões entre neurônios, são necessários uma nutrição adequada, alcançada pelo aleitamento materno, e estímulos sensoriais. Ao prolongar a licença-maternidade, garantimos à criança o acesso a todo esse estímulo no período em que ele é mais fundamental", diz.

O projeto aprovado amplia de quatro para seis meses a licença, mas as empresas decidem se concedem ou não o benefício. A proposta está em concordância com a recomendação de que se amamente por no mínimo seis meses. O Ministério da Saúde vem fazendo campanhas nesse sentido.

"Pesquisas mostram que o aleitamento reduz o risco de doenças. Em termos econômicos, os ganhos podem ser enormes. ", diz Lena Peres, do Ministério da Saúde. Para a mulher, lembra, o aleitamento prolongado está associado à redução do risco de desenvolver cânceres de mama e de ovário e à redução da obesidade pós-parto. "Além de garantir um maior tempo com o bebê, o que diminui a angústia e a ansiedade da mãe em deixar em casa o filho em período de tanta vulnerabilidade", diz Campos Jr.

Após os seis meses, com a criança um pouco mais independente desses cuidados exclusivos, a mãe se sentiria mais tranqüila para sair da licença. Hoje, no Brasil, 98 municípios e 11 Estados já oferecem o benefício. Algumas empresas também, como o Wal-Mart e a Nestlé. As mães que já experimentam os seis meses de licença confirmam a sensação. É o caso de Vanessa Moreira, nutricionista da Nestlé, e seu filho Lucas, de 4 meses. "Antes de ficar grávida não tinha noção de como esse tempo com o bebê é importante."