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Livro digital pode dar impulso ao mercado editorial no País

06 de dezembro de 2012 | 23h 53
O Estado de S.Paulo

Análise: Maria Fernanda Rodrigues

Para um país de mais de 5.500 municípios e apenas 3.481 livrarias, a perspectiva de desenvolvimento do mercado de livros digitais, fortalecida agora com a abertura das filiais brasileiras da Amazon, Kobo e Google - a Apple também já vende e-books nacionais, mas faz isso a partir de sua loja internacional, o que torna o livro mais caro -, é vista com bons olhos por quase todos.

Poder comprar um lançamento no dia em que as livrarias paulistas e cariocas recebem os títulos era, até agora, algo impensável para leitores do interior desses Estados ou para os das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as que mais sofrem com a falta de lojas, segundo levantamento da Associação Nacional de Livrarias. Hoje, tendo um e-reader - há modelos a partir de R$ 299 -, o leitor compra e recebe instantaneamente - assim é esperado - a obra. E também não gasta com frete.

Abre-se caminho, também, para autores que não têm espaço em editoras tradicionais e autopublicam seus livros, oferecendo-os para leitura digital e impressão sob demanda - outro mercado que tende a crescer.

Passada a fase da insegurança, as editoras, que tinham medo da pirataria e de que os e-books arruinassem o negócio do livro impresso, seu ganha-pão e uma indústria consolidada no Brasil, também estão animadas com a ampliação da área de atuação. Sabem que seu futuro caminha para a produção e distribuição de conteúdo. Onde o consumidor vai ler esse material é decisão dele.

O investimento é alto e foram quase dois anos de preparação para se chegar até aqui - calcula-se que existam 8 mil e-books brasileiros, o dobro de um ano atrás. Essas editoras frequentaram congressos no Brasil e no exterior sobre o tema, observaram os erros e acertos das editoras internacionais e, por fim, colocaram a mão na massa: revendo os contratos com os autores, convertendo os arquivos e discutindo meses a fio os contratos que começam a assinar com esses grandes players, que chegam agora para o terror das pequenas e médias livrarias.

Elas, que resistem bravamente, têm receio de que o digital precipite o funeral das lojas de rua - fenômeno observado nos Estados Unidos e na Inglaterra e que a França tenta conter com uma série de medidas estatais. Aqui, a Associação Nacional de Livrarias pede, em carta endereçada a Dilma Rousseff, Marta Suplicy, editoras e entidades do livro, que a versão digital seja lançada 120 dias depois da versão em papel e que o desconto não ultrapasse 30%. Tudo para não tirar as lojas independentes do jogo. Mas, se elas quiserem vender e-book, também podem, já que há uma série de empresas oferecendo e-bookstores terceirizadas. Contrata-se o serviço, o site vira uma loja virtual e uma distribuidora fica responsável pela venda. O lucro é dividido.

Nem tudo são flores também para as editoras. Para fazer frente às gigantes de tecnologia, algumas delas se uniram para criar a também gigante DLD, que reúne e negocia o conteúdo digital de editoras como a Record, a maior do país, e a Novo Conceito, uma das editoras com maior número de títulos nas listas de mais vendidos. Outras se mantiveram sós, firmes na negociação, como a Companhia das Letras que, durante um ano e meio de idas e vindas, no caso da Amazon, discutiu item por item do contrato. Uma postura prudente - as editoras estrangeiras que o digam.

A oferta de e-readers com preços competitivos e livros mais baratos - editores optaram por descontos em torno de 20%, 30% - são passos importantes para o desenvolvimento do mercado digital e para o acesso ao conhecimento. Mas isso não é tudo. O Brasil não é, ainda, um país de leitores - lê-se, em média, quatro livros por ano, contando a leitura obrigatória na escola. Portanto, não é um grande consumidor de livros.

O que movimenta quase um terço do mercado editorial brasileiro, estimado pela Fipe em R$ 4,8 bilhões, e sustenta muitas editoras, são as compras governamentais. O governo ainda não compra e-book, mas começa a adquirir obras em CD-Rom. Quando o livro digital estiver na mira dos ministérios e secretarias, aí sim todo o investimento poderá ser compensado. A Amazon sabe disso e, antes de inaugurar sua loja, já conversava com o Ministério da Educação.

Hoje, editoras dizem que o faturamento com o digital não chega a 1% do total das vendas. Algumas casas preveem que o valor chegará a 10% em 2013 - isso, só contando com os leitores que embarcarem na leitura digital ou os adeptos da compra por impulso, também bastante comemorada pelo setor. Quando as compras governamentais começarem, a história ganhará outro importante capítulo.





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