Lula não vê razão para o Banco Central elevar os juros
Presidente se alinha ao Ministério da Fazenda, que não concorda que existam pressões inflacionárias
A exemplo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se alinha no time que não vê razão para o Banco Central (BC) elevar a taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa terça-feira e termina quarta-feira. Lula quer que a Selic fique onde está.
Para o Planalto, o impacto da decisão do BC - anunciada em 24 de fevereiro - de aumentar o recolhimento compulsório dos bancos é igual ou maior do que o que poderia ser obtido com a alta dos juros porque a medida enxuga o excesso de dinheiro do mercado. O presidente tem afirmado que está "muito atento" às movimentações da economia, principalmente em relação à possibilidade de alta da inflação.
Lula já deixou claro a auxiliares que entende que, se em algum momento for necessário aumentar os juros para conter a inflação, o governo não hesitará em tomar essa medida sem temer qualquer impacto eleitoral pela adoção de uma medida impopular. Para o presidente, passados sete anos de seu mandato, a população já entendeu que o governo "não vai brincar com questões econômicas" e vai manter o rigor nas contas públicas.
Discurso da oposição. O governo entende, porém, que não há atualmente pressões inflacionárias como alguns economistas estão apregoando. "Isso é discurso da oposição", disse ao Estado, na quinta-feira passada, um auxiliar direto do presidente, salientando que um aumento nas taxas de juros agora endossaria o discurso dos oposicionistas, porque os reflexos maiores viriam exatamente nos meses de agosto ou setembro, no auge da campanha eleitoral.
No entendimento do presidente Lula e seus auxiliares, a pequena alta que houve na taxa de inflação neste início de ano não é preocupante porque é sazonal e foi provocada por fatores pontuais, como aumento de mensalidades escolares.
"Os preços estão se acomodando", comentou o próprio presidente, ao avaliar os últimos dados econômicos. O presidente também está convencido, segundo os assessores, que não há espaço para que os juros sejam reduzidos.
Embora o governo reconheça que a Selic poderia estar mais baixa, dada a solidez da economia, o momento não é para mexer nos juros.
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