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Lula traça estratégia para governo de SP

Sucessão no Estado em 2014 já é debatida por petistas; ministros do PT querem disputar, mas ex-presidente sugere chapa com PMDB

03 de fevereiro de 2013 | 2h 05
JULIA DUAILIBI, FERNANDO GALLO - O Estado de S.Paulo

O PT começou a montar a estratégia, considerada prioritária pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tentar tirar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes na eleição de 2014. A direção do partido debate internamente dois caminhos: fazer uma aliança com uma sigla aliada e tirar a cabeça de chapa do PT ou lançar um ministro da presidente Dilma Rousseff como candidato a governador de São Paulo.

As duas estratégias foram debatidas há dez dias em reunião com Lula, em São Paulo. Voltaram à pauta na segunda-feira em almoço em Brasília do qual participaram integrantes do partido.

O PT discute a possibilidade de apoiar o PMDB em São Paulo, num movimento em que lançaria o vice-presidente Michel Temer como candidato a governador. Essa solução daria à chapa o maior tempo de TV na disputa e abriria a vaga de vice de Dilma, facilitando a composição com o PSB, do governador Eduardo Campos (PE). O desenho com Temer na cabeça de chapa é visto pelos petistas como a única possibilidade de o PMDB abrir mão da vice-presidência - o pré-candidato peemedebista ao governo do Estado é o deputado Gabriel Chalita, que tem bom trânsito com o PT e deverá ser o novo ministro de Ciência e Tecnologia.

A operação de rifar a candidatura própria e apoiar um aliado reedita articulação de 2009 para tentar emplacar Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, candidato a governador de São Paulo. Na ocasião, o ex-ministro chegou a trazer o título eleitoral do Ceará para São Paulo, mas o plano naufragou diante da resistência do PT paulista - e da falta de entusiasmo do próprio Ciro.

Mas, como em 2009, o apoio a aliados encontra a resistência de setores do PT. O PMDB também não é grande entusiasta da articulação. Integrantes do partido ponderam que as chances de Temer se eleger governador numa disputa contra o tucano Geraldo Alckmin, pré-candidato à reeleição, são bem menores que as de se reeleger vice numa chapa de Dilma - isso se a economia melhorar, e a popularidade da petista não naufragar.

"Todas as soluções são possíveis. Lula já me disse que o fundamental é ganhar o governo do Estado. Vamos fazer um esforço muito grande para isso acontecer", declarou o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, cotado para presidir o PT paulista. "A nossa prioridade é derrotar os tucanos em São Paulo. Para isso se configurar, não vamos medir esforços", completou.

Para o líder da bancada petista na Assembleia, Alencar Santana, o partido tem de lançar um quadro próprio. "O PMDB com certeza é um aliado forte, mas hoje defendemos a candidatura de alguém do PT", afirmou. "Por enquanto, não está no nosso horizonte não ter essa candidatura."

A operação tem outro agravante. O PT pretende se aliar em 2014 com o PSD, de Gilberto Kassab, que pode ficar com a vaga para o Senado. Haveria, portanto, outro desgaste interno, dessa vez ao rifar a candidatura de Eduardo Suplicy à reeleição no Senado para dá-la ao PSD. O PT indicaria um nome para vice-governador na chapa do PMDB.

Ministros. Diante da dificuldade de viabilizar a operação, a saída pode ser lançar candidato um ministro petista de Dilma. Aí entram o veterano em disputas Aloizio Mercadante (Educação) e o novato em eleições Guido Mantega (Fazenda), além de Alexandre Padilha (Saúde), que perdeu gás nos últimos meses por, segundo petistas, faltar uma marca em sua gestão ministerial.

Um dos ministros mais fortes de Dilma hoje, Mercadante quer a indicação. Contra ele pesam as duas últimas derrotas, em 2006 e 2010, para o PSDB. Além disso, depois da vitória de Fernando Haddad na eleição municipal paulistana, Lula está convicto de que, se o candidato for mesmo petista, o nome deve ser novo do ponto de vista eleitoral.

Assim, sobram Padilha e Mantega. Embora não tenha criado sua marca, o ministro da Saúde não está fora do páreo. A atuação na tragédia de Santa Maria foi elogiada pelos petistas.

Sem respaldo partidário, Mantega seria uma experiência à la Dilma e Haddad, ou seja, dependeria do esforço e articulação pessoal de Lula. A favor dele está o perfil de professor universitário, palatável à classe média paulista, e o apoio de setores do empresariado. A direção do PT está ciente de que a operação só funcionaria se a economia estiver bem - o PIB de 2012, ainda a ser calculado, não deve ir além de 1%, e a tendência é que os anos Dilma tenham crescimento inferior ao da era Lula. O lançamento de Mantega teria outra vantagem: abriria a vaga no ministério, potencial alvo de mudanças na gestão Dilma.

Correndo por fora há ainda outros dois ministros: José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), próximo de Dilma, mas sem apoio de Lula, e Marta Suplicy (Cultura), preterida pelo ex-presidente na eleição para a Prefeitura em 2012, e que ainda enfrenta isolamento partidário.

Comando. Desde que Lula se elegeu presidente, a escolha dos candidatos do PT nas eleições mais estratégicas passou a ser feita por ele, o que levou ao abandono de práticas tradicionais, como as prévias. Na campanha de Haddad, Lula chegou a perguntar ao candidato se poderia ser o seu vice. A pergunta não foi em tom de brincadeira. Na ocasião, havia um impasse: Luiza Erundina (PSB) havia desistido da indicação em razão da aliança com Paulo Maluf (PP). Quando o assunto é eleição, o petista coloca todas as cartas na mesa.




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