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15 de Abril de 2010

 

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Luxottica vai fabricar óculos Ray-Ban no Brasil a partir de março de 2013

Consumo. Maior fabricante de óculos no mundo prevê que o País será seu segundo maior mercado até 2015; companhia italiana deve investir 200 milhões nos próximos três anos em suas unidades de produção no Brasil, Itália, China, Estados Unidos e Índia

22 de dezembro de 2012 | 2h 06
LÍLIAN CUNHA - O Estado de S.Paulo

A italiana Luxottica, que comprou há um ano a fabricante nacional de óculos Tecnol, vai começar a produzir o Ray-Ban "made in Brazil". "Até março do ano que vem lançaremos cinco modelos oftálmicos (de grau) da Ray-Ban, cujo desenho foi desenvolvido aqui, sob supervisão da equipe de design da Itália", afirma Ennio Perrone, diretor de marketing e de produção da Luxottica Brasil.

Além dos modelos de grau, a empresa pretende produzir aqui oito Ray-Ban de sol, a partir do segundo trimestre de 2013. A produção local foi iniciada com 12 armações de grau da marca Vogue. Nos próximos meses, a expansão seguirá com modelos da Arnette - que começarão a ser fabricados em janeiro. A empresa também estuda a produção de produtos da Oakley no País.

Todas as armações que serão fabricadas no Brasil, incluindo as Ray-Ban, estão sendo desenvolvidas pela equipe brasileira. "Desenvolvendo as armações aqui, completamos a linha com modelos que atendem a peculiaridades do mercado brasileiro", diz o executivo. "Aqui, o consumidor que compra armações de grau prefere as metálicas. Na Europa, o acetato tem mais procura. Por isso, desenvolvendo linhas na fábrica de Campinas, conseguimos suprir essas demandas locais", diz Perrone.

As armações desenvolvidas aqui também são mais baratas e consideradas "produtos de entrada" - ou seja, itens com menor preço para o consumidor que vai comprar seu primeiro óculos de marca.

Mas isso não quer dizer que tenham qualidade inferior, diz o executivo. "São apenas produtos mais simples, que não são folheados a ouro, por exemplo, diz Perrone. "Para o consumidor, a diferença entre um produto nacional e um italiano tem de ser imperceptível. Um Ray-Ban ou um Vogue feito aqui precisa ser idêntico a um feito na Itália", afirma Perrone.

Segundo o diretor, as armações brasileiras terão preços em torno de R$ 300, para os produtos Vogue, e de R$ 320, para os Ray-Ban. "Produzir aqui deixa o produto mais barato, mas não muito, porque há o custo Brasil. O maior ganho é logístico", diz.

Antes de adquirir a Tecnol, a Luxottica, fabricante das marcas de óculos como Bvlgari, Chanel e Dolce & Gabbana, entre outras, levava de 40 a 50 dias para atender os pedidos das óticas brasileiras. "Hoje, o prazo é de uma semana", afirma Perrone.

Desde a compra da fábrica da Tecnol, a multinacional vem investindo na modernização da empresa, para que a produção alcance "padrões italianos".

"A fábrica era moderna, mas a Tecnol passou por uma espécie de 'upgrade' em 2012 para alcançar os padrões de produção da Luxottica na Itália", diz. Equipamentos de pintura e tratamento de armações, por exemplo, foram modernizados.

Os investimentos na unidade devem continuar sendo feitos. A Luxottica, conforme afirmou seu diretor executivo Andrea Guerra, planeja investir 200 milhões (US$ 257 milhões) nos próximos três anos para aumentar a capacidade da fábrica do Brasil e também para as unidades da Itália, Estados Unidos, China e Índia.

Guerra espera fechar 2012 com vendas de 7 bilhões (comparado a 6,2 bilhões em 2011). No ano que vem, a expectativa é faturar de 7,5 bilhões a 7,7 bilhões.

"A internacionalização, principalmente para mercados emergentes, fez bem para a empresa, que praticamente não está escapou da crise na Europa", diz o analista de mercado Benjamin Smith, da Guidance Point Advisors, de Boston (EUA).

Margem. No Brasil, as vendas durante o ano cresceram acima de 10%, conforme divulgou a companhia em seu último relatório de resultados.

"Algumas marcas chegam a vender o dobro do que vendiam há uma ano", diz Perrone. Isso, segundo ele, porque a companhia decidiu, em abril passado, diminuir os preços em 20% em média. A companhia, diz o diretor, decidiu reduzir margens para ganhar escala.

"Tínhamos armações com preço médio de R$ 1 mil. Mas percebemos que o máximo que o consumidor brasileiro está disposto a pagar é algo entre R$ 700 ou R$ 800", explica o executivo.

"Se a faixa de preço fica em torno de R$ 1 mil, o consumidor deixa para comprar seu óculos quando vai viajar para o exterior, onde uma armação custa cerca de US$ 300. Mas se custa aqui no máximo R$ 700, o preço fica equivalente ao lá de fora e ele passa a comprar aqui e também começa a comprar com mais frequência", ressalta.





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