Manifestantes farão vigília no fórum

Pessoas até de outros Estados, sensibilizadas com a tragédia, vêm acompanhar o julgamento

, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2010 | 00h00

A partir de amanhã, a capital vai ter um tipo diferente de visitante: gente que virá especialmente para acompanhar o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a garota Isabella Nardoni, de 5 anos. Sem acesso ao plenário, as pessoas devem ficar na frente do Fórum de Santana, zona norte.

A maioria desses turistas é mulher e vai permanecer em vigília todo o tempo que durar o julgamento.

A vendedora Sandra Domingues, de 42 anos, moradora do Jardim Celeste, na zona sul, está organizando um grupo que estará no fórum com pelo menos 30 pessoas de todo o Brasil.

Às 13 horas de amanhã, quando o julgamento começar, os manifestantes vão realizar um protesto pacífico, vestindo camisetas com a foto de Isabella e segurando cartazes.

Eles se conheceram pela internet e, nos dois últimos anos, participaram de comunidades, fóruns de discussões e manifestações sobre o caso. Alguns participantes ampliaram a atuação e se engajaram em movimentos com famílias vítimas da violência de todo o País, ganhando o apelido de Liga do Bem.

"Cada uma das pessoas que devem vir para o julgamento tem uma história diferente, mas o que todos nós queremos é fazer uma manifestação pacífica de apoio à família da Isabella - e não afrontar a defesa", conta Sandra. Segundo ela, o grupo espera que o casal seja condenado.

Sandra vai suspender todos os compromissos até a conclusão do caso. "Vou deixar tudo para trás", afirma a vendedora, que tem um filho e dois netos e mantém uma comunidade na internet em homenagem a Isabella e à menina inglesa Madeleine McCann, que desapareceu em Portugal, em 2007.

O engenheiro aposentado Carlos Torres, de 57 anos, vem de Tramandaí (RS), a 120 quilômetros de Porto Alegre, para acompanhar o julgamento e vai ficar na cidade até domingo.

"Não tenho a menor pretensão de assistir ao julgamento. Vou ficar na calçada conversando com as outras pessoas e esperando a condenação." Pai de uma menina de 8 anos também chamada Isabella, ele diz que estar em São Paulo é uma catarse e não uma viagem de turismo. "Já chorei muito por causa dessa história."

Outra meta do engenheiro é visitar o túmulo da menina. "Eu quero ir sozinho e poder ficar um pouco com aquela princesa."

A advogada Juliana Campos, de 38 anos, vem de Juiz de Fora (MG) e vai ficar em um hotel, como boa parte do grupo. "Estar nesse julgamento é como fechar um ciclo, porque fiquei muito mobilizada com o crime, não só pela brutalidade, mas por ser mãe."

Alyne Estheles, de 34 anos, que mora em Santos, também considera esta semana como o encerramento de uma etapa. "Não só no caso da Isabella, mas na minha vida, porque agora posso me focar em outras coisas", diz a dona de casa, que vai deixar o filho de 11 anos com o marido em casa.

"Fiquei três meses sem conseguir dormir, passava 24 horas ligada na TV e na internet. Acabei em depressão", conta. Entretanto, ela garante que transformou a dor em uma luta em favor das vítimas da violência. "A Isabella foi a mola propulsora que me fez sair do sofá para lutar por um país mais justo."

Tirar 20 dias de férias neste mês foi a alternativa que a agente de turismo Andrea Ramos, de 40 anos, encontrou para acompanhar o desfecho do caso. Moradora de Jundiaí, no interior do Estado, ela vai deixar a filha de 6 anos com a família.

Andrea pretende usar o notebook para atualizar o seu blog durante o julgamento. "Não sei se vou conseguir entrar, nem que seja em sistema de rodízio, mas se não conseguir não me importo em ficar do lado de fora." Ela acompanha o caso desde o primeiro dia e diz esperar que a justiça seja feita. "O Brasil todo está esperando por isso."

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