Manobra liberou especialista para ajudar Roseana
Exonerada entre 1.º e 2.º turnos, Elga foi ao Maranhão e, por ato secreto, acabou recontratada
Especialista em campanha eleitoral, com serviços prestados para o clã Sarney, Elga Mara Teixeira Lopes foi exonerada de um cargo no Senado entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2006. Na ocasião, Elga foi exonerada e se deslocou para o Maranhão, palco de uma disputa renhida entre Roseana Sarney (PMDB) e o então governador Jackson Lago (PDT).
A movimentação funcional da funcionária do Senado chama a atenção porque tão logo o segundo turno foi encerrado, com a derrota de Roseana, um ato secreto editado pelo Senado cancelou a exoneração.
O efeito prático do despacho reservado, segundo assessores jurídicos do Senado, foi preservar integralmente o salário de Elga, contando para efeitos de remuneração o período de aproximadamente 15 dias em que ela esteve afastada da Casa. Elga Lopes nega ter trabalhado na campanha de Roseana Sarney. "Fui ao Maranhão somente num final de semana e no final da campanha, fiquei lá uns quatro dias", afirma ela.
Com data de 6 de novembro, o ato tornou "sem efeito" sua exoneração ocorrida 17 dias antes e publicada no boletim administrativo de 20 de outubro. O segundo turno das eleições aos governos dos Estados foi realizado no dia 29 de outubro. A exoneração e a sua anulação foram assinadas pelo então diretor-geral Agaciel Maia. Na época, a Casa era presidida por Renan Calheiros (PMDB-AL).
Elga Lopes exercia, na ocasião, o cargo comissionado de coordenadora adjunta da Assessoria de Planejamento e Modernização Administrativa do Senado. Em 20 de fevereiro último, o senador José Sarney a nomeou para o comando da Secretaria de Comunicação Social da Casa, mas ela pediu para deixar o cargo dois meses depois, após a publicação de reportagens que a acusavam de atuar em campanhas eleitorais, como especialista na área de pesquisa de opinião, sem se licenciar do Senado. Elga nega a história e diz que todas as ocasiões em que isso ocorreu coincidiram com as suas férias.
Em 2006, por exemplo, ela atuou na campanha à reeleição ao Senado de José Sarney, no Amapá. Atuou também na campanha do senador Delcídio Amaral (PT) ao governo de Mato Grosso.
A servidora diz desconhecer o ato de exoneração, publicado na data em que seu afastamento deveria ter ocorrido. Sobre o ato secreto anulando-a, nega igualmente saber de sua existência. Para ela, ambos são frutos de "um erro" dos administradores do Senado e foram criados à sua revelia. "Vou procurar saber o que ocorreu, porque eu nunca fui demitida, estou aqui desde 2003", disse.
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