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Marina e Campos se desentendem sobre palanques

No lançamento de 1º documento 'programático', ex-ministra defende candidatura própria em São Paulo e governador tenta desconversar

29 de novembro de 2013 | 2h 07
Isadora Peron e Carla Araújo - O Estado de S.Paulo

O governador Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva divergiram nessa quinta-feira, 28, publicamente sobre a formação de palanques nos Estados para as eleições de 2014. Enquanto Marina defendeu a tese de lançar candidatura própria, Campos desconversou e disse que as decisões estaduais deverão beneficiar o projeto nacional. Atualmente, PSB e Rede enfrentam dificuldades em chegar a um consenso em importantes colégios eleitorais, como São Paulo e Minas.

As opiniões contraditórias foram manifestadas durante o lançamento do site Mudando o Brasil, em São Paulo. Até fevereiro, o documento que vai pautar a discussão do programa de governo PSB-Rede estará disponível na internet, para que as pessoas possam colaborar com o processo, dando sugestões sobre temas como "reforma do Estado", "valorização da biodiversidade e dos recursos naturais" e "segurança pública".

Ontem, ao ser questionada sobre a situação paulista, a ex-ministra do Meio Ambiente defendeu o lançamento de um nome próprio no Estado. "Nós, da Rede, estamos trabalhando para ter candidatura própria", afirmou Marina. Ela disse, no entanto, que não há nada acertado, e que a discussão está no início. "Nós estamos apenas no começo, ainda haverá muitas surpresas pela frente."

Campos, por sua vez, defendeu que é hora de pensar na candidatura nacional, mas deixou claro que não fará interferências nas discussões que já tinham sido iniciadas nos diretórios estaduais. "O debate regional vai vir depois do nacional. Isso está muito claro para nós. Agora, nós não vamos atropelar direção regional nenhuma. Vamos respeitar o diálogo e o debate dentro do partido em cada Estado", afirmou.

Apesar da resistência de Marina, a articulação entre PSDB e PSB é considerada pelos tucanos como "irrevogável". O governador Geraldo Alckmin tem pressionado para que o partido antecipe o anúncio do apoio à sua reeleição. Campos teria dado sinal verde para a aliança, que inclui a indicação do deputado Márcio França (PSB-SP) como vice da chapa.

A expectativa no Palácio dos Bandeirantes é de que o governador de Pernambuco aproveite uma visita ao Estado na próxima segunda-feira para deixar claro que apoia a dobradinha. A pressão da Rede, contudo, pode adiar esse movimento. "A análise dos Estados será feita sem pressa. Essas definições serão submetidas ao diretório nacional e só devem sair depois do carnaval", pondera Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB.

Mudança. Durante a apresentação do primeiro documento fruto da aliança entre o PSB e a Rede, Marina voltou a afirmar que quando decidiu entrar para a legenda, em outubro, sabia que Campos preparava a sua candidatura à Presidência e que a parceria tinha como objetivo ajudá-lo nesse projeto.

Os dois aliados repetiram ainda o mantra de que irão manter as conquistas econômicas e sociais alcançadas no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Campos, no entanto, apostou no discurso de "mudança" e, ao criticar a polarização entre PT e PSDB, colocou o seu nome como uma opção de terceira via.

"Esses dois pilares foram importantes, mas eles hoje são insuficientes para melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro. É preciso ir adiante. E é exatamente para saber como ir adiante que nós estamos aqui lançando este documento."

O tom adotado pelo pernambucano é muito parecido com o de Lula, em 2002. Na época, o petista também se colocava como uma opção de "mudança segura", ao garantir que os avanços na economia não seriam perdidos. Campos, que fez parte dos governos petistas até setembro, pretende ainda lançar um documento no qual irá deixar claras suas intenções na condução do País caso venha a ser eleito, algo bastante parecido com a "Carta ao Povo Brasileiro" apresentada por Lula em 2002. / COLABOROU PEDRO VENCESLAU




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