Melhores e piores candidatos serão mais afetados por anulação
Segundo especialistas ouvidos pelo 'Estado', dificuldade de discriminar os estudantes ficará mais evidente nas pontas
Anular 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) afetará de forma desigual os candidatos, prejudicando os mais competitivos. Além da indefinição do impacto nas notas dos alunos, a prova de Ciências da Natureza, que teve cinco questões anuladas pela Justiça, fica mais comprometida.
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"Com menos de 40 questões, é complicado discriminar os desempenhos de candidatos muito parecidos", explica o professor Dalton Francisco de Andrade, do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo ele, cada prova, de 45 questões, tem uma régua de desempenho de acordo com a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
A TRI é um conjunto de modelos matemáticos adotado pelo Enem que permite que estudantes com o mesmo número absoluto de acertos possam ter notas finais diferentes. A dificuldade desses itens e o desempenho de cada candidato são decisivos para a nota. "O grande problema é se em uma das provas os itens cancelados tiverem a mesma dificuldade", diz Andrade.
Além das cinco questões de Ciências da Natureza, foram anuladas três de Ciências Humanas, uma de Linguagens e quatro de Matemática. Na versão amarela, são as questões 32, 33, 34, 46, 50, 57, 74 e 87 (aplicadas no sábado) e 113, 141, 154, 173 e 180 (domingo).
O professor Tufi Machado Soares, do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destaca que o efeito da anulação das questões foi pulverizado, por afetar poucas questões de cada disciplina. "Se fossem 13 questões só de Matemática, por exemplo, a distorção seria mais grave."
Para especialistas ouvidos pelo Estado, a TRI é mais capaz de distinguir as diferenças entre os candidatos que o método tradicional quando há anulação de itens. Mas os que acertaram as 13 questões, ou a maior parte delas, serão mais prejudicados. E haverá uma dificuldade para discriminar candidatos com desempenhos muito bons ou parecidos.
"Quem acertou as 13 vai ser prejudicado e quem errou, beneficiado. Isso ocorreria independentemente da TRI", diz o professor Dani Gamerman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "A dificuldade de discriminação vai aparecer somente nas pontas, entre os melhores e piores. Mas será pouco."
Apesar de defender oficialmente a manutenção das questões no País, o Ministério da Educação afirma que, pela TRI, o cancelamento não afeta o Enem.
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