Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias >
Início do conteúdo

Mercadante é plano B de Lula em São Paulo

Presidente não desistiu, entretanto, de tentar convencer Ciro Gomes a disputar sucessão de Serra

04 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Clarissa Oliveira - O Estadao de S.Paulo

Mesmo sem desistir definitivamente de convencer o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a disputar o governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já escalou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) como plano B para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em outubro. A conversa aconteceu na quarta-feira da semana passada, mesmo dia em que Lula embarcaria para Recife, onde retomou as negociações com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para uma aliança com o PSB.

Entre as gravações de um vídeo em comemoração aos 30 anos do PT e o embarque para a capital pernambucana, Lula aproveitou para debater a sucessão em São Paulo. Ao lado de auxiliares, avisou que ainda gostaria de convencer Ciro a disputar o governo paulista. Ainda assim, deu a Mercadante o recado de que gostaria de vê-lo preparado para assumir a tarefa. Disse que o considera a melhor alternativa para a vaga, caso o candidato seja do PT. "Se ele (Ciro) não quiser, Aloizio, eu acho que você é o melhor nome no PT", disse Lula, segundo petistas que acompanharam a conversa.

Além de Mercadante, estavam reunidos em uma casa em Brasília, onde foi montado um estúdio para as gravações do vídeo petista, a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Barretto (Turismo) e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, além do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e do presidente do PT paulista, Edinho Silva.

Mercadante repetiu o argumento de que sua reeleição para o Senado seria positiva para o governo e para o PT, por assegurar a presença de quadros experientes na Casa. Lula, entretanto, ressaltou que, se ele não tiver interesse na vaga, não descarta a possibilidade de bancar o nome do ministro da Educação, Fernando Haddad.

O ministro é alvo de forte resistência no PT paulista, inclusive em setores da sigla ligados a Mercadante. Na conversa, Lula ignorou o desgaste sofrido por Haddad com o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), revelado pelo Estado no ano passado.

Ele também teceu elogios à ex-prefeita Marta Suplicy, mas teria indicado que acha melhor não incluí-la na lista de alternativas. O presidente disse que Marta canalizou "o ódio da elite paulista". Ainda assim, se Mercadante abandonar a corrida ao Senado, a ex-prefeita ganha a chance de concretizar seu plano de sair candidata a um mandato na Casa. Sobre o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que já se retirou da disputa, Lula observou que se trata de um "líder inteligente", que está ciente de que este não é o momento certo para que saia candidato.

Apesar de o projeto Ciro não estar totalmente enterrado, já circula no PT paulista até mesmo uma proposta completa de chapa para a sucessão estadual, apoiada na tese de uma aliança com o PSB. Marta disputaria o Senado com o vereador Gabriel Chalita (PSB). Mercadante concorreria ao Palácio dos Bandeirantes, podendo ter como vice o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. No comando petista, porém, predomina a avaliação de que Skaf deverá insistir em uma candidatura própria ao governo paulista.