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Mesmo com perda de receita, Azul define teto para voos na Copa

Em jogada de marketing, empresa define preço máximo de R$ 999 para as viagens durante o mundial

09 de janeiro de 2014 | 2h 04
Marina Gazzoni - O Estado de S.Paulo

A companhia aérea Azul anunciou ontem um teto para o preço das passagens aéreas para voos durante a Copa do Mundo. Todas as viagens realizadas pela empresa durante os dias 12 de junho e 13 de julho, inclusive os voos com conexão, custarão no máximo R$ 999. A iniciativa atende às pressões do governo contra aumentos abusivos de preço durante o Mundial e faz parte de uma estratégia de marketing da companhia.

A definição de um teto para o valor das passagens muda temporariamente a fórmula de precificação da empresa. A maioria das companhias aéreas vende bilhetes a preços variados, definidos a partir de um algoritmo que considera fatores como antecedência da compra, ocupação do voo e sazonalidade. Quem compra uma passagem de última hora para uma data concorrida, como o carnaval ou a Copa, tende a pagar valores mais elevados. Não há preço máximo.

O presidente e fundador da Azul, David Neeleman, estimou que a companhia perderá R$ 20 milhões com a limitação dos preços para os voos da Copa. "É um investimento e uma questão de imagem. Não quero que ninguém ache que a Azul está abusando dos brasileiros na Copa do Mundo", disse Neeleman.

O limite já foi aplicado às 0h de ontem no site da Azul e valerá para os voos extras da companhia para o evento. A Azul pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para realizar 310 voos adicionais na Copa. Ao todo, a Anac recebeu 1.523 pedidos de operações extras de todas as empresas e divulgará a relação dos voos aprovados no próximo dia 15.

Apesar do aquecimento da demanda por transporte aéreo nas 12 cidades-sede da Copa durante os jogos, Neeleman prevê queda na demanda da Azul no período. "Para as nossas vendas, a Copa não será boa. Nossas receitas vão cair. Só 12 das 105 cidades para as quais voamos terão jogos", explicou.

A expectativa é de que os passageiros corporativos, que somam 60% do total, viajem menos durante a Copa. Segundo Neeleman, isso deve levar a empresa a cancelar cerca de 20% dos seus quase 900 voos diários no período.

Procuradas para comentar sua estratégia de preços durante a Copa, Gol e TAM disseram que aguardam a aprovação da malha aérea especial do período pela Anac.

Impacto. A limitação das tarifas da Azul deve fazer os voos da empresa encherem mais rápido do que os da concorrência, mas não coibirá a alta de preços, estima o professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana. Segundo ele, os voos para as cidades-sede da Copa não serão suficientes para atender a todos os passageiros que pretendem desembarcar nessas cidades para assistir aos jogos, o que deve motivar uma alta das tarifas na concorrência. "Se a passagem de Gol e TAM passar de R$ 1 mil, os clientes vão optar pela Azul. Os voos vão lotar lá por março ou abril, e as pessoas terão de voltar para a Gol e a TAM, que poderão subir o preço", disse.

Os aspectos políticos, no entanto, podem mudar a lógica de mercado, explica o consultor em aviação Nelson Riet. "A Azul correu na frente para fazer algo que todas as empresas aéreas já estão pensando, que é segurar os preços na Copa", disse. "A decisão da Azul se justifica por pressões políticas."

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, criticou os preços praticados pelas companhias aéreas brasileiras durante a Copa e ameaçou abrir o mercado interno a aéreas estrangeiras, em entrevista publicada no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo.





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